Duda Salabert critica condenação de influenciadora por transfobia
Parlamentar afirmou que não acionou Justiça contra Bianca Barreto e não tinha conhecimento da ação
Thamirys Andrade - 13/08/2026 10h52 | atualizado em 13/08/2026 11h48

A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) manifestou ser contra a condenação da influenciadora Bianca Barreto por usar pronomes masculinos para se referir a ela. A parlamentar transexual declarou que sequer tinha conhecimento da ação contra a influencer, que foi sentenciada a dois anos de prisão em regime semiaberto e ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais.
– Recebi com surpresa a notícia de que uma influenciadora foi condenada a dois anos de prisão por falas ofensivas contra mim. E quero falar sobre isso com muita clareza. Primeiro: eu não conheço essa influenciadora, não tenho conhecimento dessas falas e não fui eu quem procurou a Justiça. Pelo que soube pela imprensa, a ação foi movida pelo Ministério Público da Bahia, cabe recurso. Eu não participei do processo e sequer fui procurada. Não comemoro a condenação. E, no fundo, acho que decisões como essa acabam produzindo um efeito contrário àquilo que pretendem proteger – escreveu Duda, em postagem na rede social X.
Na sequência, a psolista disse que não entrou para a política para se ater às discussões de gênero, mas sim para debater “outras grandes questões do Brasil”.
– Eu não entrei na política para passar o meu mandato discutindo quem me ofendeu, quem falou de mim, quem gosta ou não gosta de quem eu sou. Eu entrei na política para discutir a vida real das pessoas. Quero discutir educação pública. Quero discutir emprego, salário, meio ambiente, mineração, segurança, saúde, a água que chega às escolas, o futuro das nossas cidades e do nosso país – adicionou.
Ela ressaltou, contudo, que fala do seu ponto de vista, não em nome de todo o movimento trans.
– Sei que vivemos um cenário global de perseguição à comunidade trans, há também quem queira transformar a presença de pessoas trans na política em uma eterna discussão sobre identidade e conflito. Porque, enquanto estamos presos a essa discussão, deixamos de disputar outras grandes questões do Brasil. E isso é tudo que uma parte da direita quer: que uma parlamentar trans seja obrigada a falar o tempo inteiro apenas sobre ser trans – prosseguiu.
Duda finalizou afirmando que seu posicionamento sobre o tema não significa “diminuir a gravidade da transfobia”.
– É justamente o contrário. O Brasil continua sendo um país extremamente violento para pessoas trans e travestis. Existem pessoas que perdem empregos, são expulsas de casa, abandonam a escola, sofrem agressões e são assassinadas simplesmente por serem quem são. E acho que o melhor que podemos fazer para mudar essa realidade é melhorar nosso nível educacional e ter exemplos positivos de pessoas trans atuando nas mais diversas áreas – completou.
CONDENAÇÃO
A condenação foi assinada pela juíza Eduarda de Lima Vidal, da 9ª Vara Criminal de Salvador. A magistrada usou a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) que equiparou a transfobia ao crime de racismo.
Bianca reagiu à declaração de Duda, afirmando “não comprar” o seu discurso, lembrando que a parlamentar processou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pelo mesmo motivo.
– Você disse não se alegrar com o que houve comigo, mas o precedente que me condenou foi aberto quando você processou Nikolas Ferreira pelo mesmo motivo – assinalou.
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