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Dossiê na CPI acusa que mãe de Hang teve óbito “fraudado”

Renan Calheiros chamou o empresário de "desalmado"

Pleno.News - 22/09/2021 14h42 | atualizado em 22/09/2021 16h09

Vídeo de Luciano Hang é exibido durante sessão da CPI Foto: Montagem/Reprodução/Agência Senado

O dossiê elaborado por 15 médicos que afirmam ter trabalhado para a operadora de saúde Prevent Senior, um material que foi entregue à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, aponta que a declaração de óbito da mãe do empresário Luciano Hang, Regina Hang, “foi fraudada”.

Regina Modesti Hang morreu aos 92 anos, em 3 de fevereiro, vítima de complicações da Covid-19. Ela estava internada no Hospital Sancta Maggiore, da rede Prevent Sênior, em São Paulo.

De acordo com os médicos, a suposta fraude na declaração de óbito de Regina Hang é um dos “inúmeros casos que não foram devidamente noticiados”. O relato sobre a mãe do empresário consta do capítulo Da suposta fraude nas declarações de óbito, do dossiê de mais de 60 páginas entregue à CPI.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou nesta quarta-feira (22) que Luciano Hang “tinha condições de levar a sua genitora para a lua, porque tem dinheiro para isso”.

– Mas leva para a Prevent Senior. E lá, segundo as informações, no atestado de óbito não consta que ela veio a óbito por Covid – declarou Aziz.

O relator Renan Calheiros (MDB-AL) chamou Hang de “desalmado” por, segundo ele, ter solicitado que a causa mortis fosse adulterada.

– Desalmado, manda esconder a causa da morte da própria mãe – disparou o senador na oitiva.

Em vídeo publicado no Instagram, em 5 de fevereiro, Luciano Hang relatou que a mãe estava assintomática e com “quase 95% do pulmão tomado” quando foi levada para o hospital.

O dossiê aponta que ela foi internada em 31 de dezembro e morreu em 3 de fevereiro. No prontuário, segundo os médicos, havia informação sobre o início de sintomas, em 23 de dezembro, e a adoção de tratamento precoce, com hidroxicloroquina, azitromicina e colchicina, antes da entrada na Prevent Senior. Na internação, de acordo com informações dos médicos, ela teria recebido ivermectina e tratamentos experimentais.

Diretor-executivo da Prevent, Pedro Benedito Batista Junior Foto: Agência Senado/ Edilson Rodrigues

Na legenda do vídeo, o empresário disse: “Até [ela] ser diagnosticada com Covid-19, eu nunca dei nenhum medicamento para prevenção [da Covid] à minha mãe”.

Luciano Hang disse que a mãe era cardíaca, tinha diabetes, insuficiência renal, sobrepeso e tomava “20 comprimidos/dia”.

– Eu me questiono: será que, se eu tivesse feito o tratamento preventivo, eu não teria salvado a minha mãe? – afirmou o empresário no vídeo.

De acordo com o dossiê, que cita o vídeo publicado por Hang, a alegação do empresário “não condiz com as informações do prontuário”. Segundo os médicos, “o prontuário médico da Sra. Regina Hang prova que ela utilizou o kit antes de ser internada e que repetiu o tratamento durante a internação, assim como registram que seu filho, Sr. Luciano Hang, tinha ciência dos fatos”.

– Como outros tantos casos de óbitos na rede Prevent Senior, decorrentes da Covid-19, que não foram devidamente informadas às autoridades, a declaração de óbito da Sra. Regina Hang foi fraudada, ao omitir o real motivo do falecimento [dela] – diz o documento.

Procurada, a Prevent Senior reafirmou que não houve fraudes em declarações de óbitos. O diretor-executivo da empresa, Pedro Benedito Batista Junior, presta depoimento à CPI nesta quarta-feira (22) e negou que a operadora tenha cometido qualquer irregularidade.

*Com informações da AE

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