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Doria ‘se revolta’ e nega que governo atuou por insumos

Em nota, governador também acusou o governo do presidente Jair Bolsonaro de oportunismo

Pleno.News - 25/01/2021 21h47 | atualizado em 26/01/2021 09h54

Governador de SP, João Doria, com caixa da CoronaVac Foto: Divulgação/Governo de SP

Em um novo capítulo da disputa entre o governador João Doria e o presidente Jair Bolsonaro, o governo paulista divulgou nota, na noite desta segunda-feira (25), negando que o governo federal tenha tido participação na liberação dos insumos para a produção de 5 milhões de doses da CoronaVac, vacina contra a Covid-19, conforme anunciado mais cedo por Bolsonaro no Twitter.

Nas redes sociais, o presidente afirmou que a exportação da matéria-prima foi autorizada pelo governo chinês e destacou que os insumos devem chegar ao Brasil nos próximos dias. No anúncio, ele agradeceu a “sensibilidade” do governo chinês e o “empenho” dos ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Eduardo Pazuello (Saúde) e Tereza Cristina (Agricultura).

Em um vídeo divulgado pelo Ministério da Saúde minutos depois, Pazuello disse que o problema foi solucionado “graças à ação diplomática do governo federal com o governo chinês por intermédio da Embaixada chinesa no Brasil”.

Contudo, de acordo com a gestão Doria, “não é verdade” que a importação de insumos da China tenha sido uma realização do governo federal.

“Todo o processo de negociação com o governo chinês para a liberação de 5.400 litros de insumo para a vacina do Butantan foi realizado pelo Instituto e pelo governo de São Paulo, que vem negociando com os chineses a importação de vacinas e insumos desde maio do ano passado”, diz a nota.

Ainda de acordo com o governo paulista, a negociação é contínua e nunca foi interrompida, “mesmo quando o governo federal, através do presidente da República, anunciou publicamente, em mais de uma ocasião, que não iria adquirir a vacina por causa de sua origem chinesa”.

Na nota, o governo paulista confirmou que houve autorização do governo chinês para o envio dos insumos e esclareceu que eles estão nas instalações da Sinovac em Pequim.

Em sua página no Twitter, Doria afirmou ainda que ataques de membros do governo federal à China dificultaram o processo.

– Se não fosse o esforço de São Paulo e a excelente relação de respeito que mantemos com a China, o principal parceiro comercial do Brasil, não teríamos iniciado ainda a vacinação dos brasileiros – declarou.

O governador subiu o tom e acusou a gestão Bolsonaro de oportunismo.

– Sem parasitismo dos negacionistas e oportunistas. Até aqui só atrapalharam nosso trabalho em prol da ciência e da vida. São engenheiros de obra pronta. Vergonha! – escreveu.

Doria terá uma reunião virtual nesta terça-feira (26), às 10h30, com o embaixador chinês, Yang Wanming, e prometeu apresentar à imprensa os detalhes logísticos do recebimento dos insumos após o encontro.

Até agora, o Butantan já liberou 6,9 milhões de doses da CoronaVac para distribuição aos estados e promete entregar, nos próximos dias, mais 3,2 milhões de unidades do imunizante, o que totalizaria 10,1 milhões de doses, montante suficiente para a vacinação de 5 milhões de pessoas. A promessa do Butantan é entregar 46 milhões de doses até abril.

Após a reação de Doria, o ministro das Comunicações de Bolsonaro, Fábio Faria, publicou no Twitter uma carta do Embaixador da China no Brasil, Yang Wanming enviada a Pazuello nesta segunda comunicando a autorização do envio dos insumos para a Coronavac.

“Venho, pela presente, cumprimentá-lo cordialmente e, em continuidade da nossa conversa do dia 21 do mês corrente, aproveito para informar que a exportação ao Brasil do novo lote de 5.400 litros dos insumos da Coronavac acabou de ser autorizada pelos órgãos competentes da China…”, diz o comunicado do embaixador.

Em seguida, Faria escreveu, sem citar nomes, que “tem gente que quer holofote a todo custo”. “É caso de psicanálise! Hoje será que veremos lágrimas de crocodilo de novo? A conferir…”

*Estadão

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