Deputadas do PT acionam PGR contra Paulo Figueiredo
Deputadas afirmam que falas sobre o voto feminino desrespeitam a Constituição
Pleno.News - 11/07/2026 16h48 | atualizado em 16/07/2026 14h14

As deputadas da bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara protocolaram, na última quarta-feira (8), uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) para pedir investigação sobre declarações contra o voto feminino. O documento cita manifestações do influenciador Paulo Figueiredo e pede apuração sobre possível participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A iniciativa foi apresentada pela líder da Bancada Feminina, deputada Jack Rocha (PT-ES), e recebeu apoio de outras parlamentares do partido. Segundo elas, as declarações colocam em dúvida a autonomia política das mulheres e afrontam princípios da Constituição de 1988, como a igualdade de direitos e o sufrágio universal.
– As mulheres brasileiras conquistaram o direito ao voto por meio de uma longa luta democrática. Atacar esse direito, questionar sua autonomia política ou defender mecanismos de tutela sobre sua participação eleitoral representa um ataque não apenas às mulheres, mas à própria democracia brasileira – atesta o documento.
A representação destaca que as mulheres somam mais de 81 milhões de eleitoras e correspondem a cerca de 52% do eleitorado brasileiro. Para as deputadas, discursos que afirmam que mulheres “votam mal” ou seguem a orientação política dos maridos desrespeitam a igualdade entre homens e mulheres e o direito ao voto livre.
– O voto feminino é conquista histórica, direito fundamental e expressão plena da cidadania. Nenhuma mulher brasileira pode ser tratada como eleitora de segunda classe ou como mera extensão da vontade do marido – afirmam as deputadas na representação.
O documento também questiona a divulgação de propostas ligadas ao chamado “voto familiar”, atribuídas ao Livro Amarelo do partido Missão. As parlamentares afirmam que qualquer ideia de substituir o voto individual por mecanismos de tutela familiar contraria a Constituição e pode ampliar desigualdades.
Além da investigação, as deputadas pedem a preservação de provas digitais, a identificação do alcance das publicações, a apuração sobre eventual articulação entre influenciadores e partidos, análise do Livro Amarelo e comunicação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para adoção de medidas contra propaganda discriminatória e violência política de gênero.
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