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Deltan participa de ato contra PL do abuso de autoridade

Manifestação ocorreu em frente ao prédio da Justiça Federal, em Curitiba

Ana Luiza Menezes - 19/08/2019 19h19 | atualizado em 19/08/2019 20h25

Procurador Deltan Dallagnol Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

Um ato em protesto ao projeto de abuso de autoridade, aprovado na Câmara dos Deputados, reuniu o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato, o juiz federal Luiz Antonio Bonat, que julga processos da operação, e um grupo intitulado Mulheres com Bolsonaro, na tarde desta segunda-feira (19), em Curitiba.

A manifestação ocorreu em frente ao prédio da Justiça Federal e reuniu várias entidades que integram membros das polícias, Ministério Público e Judiciário, de âmbito federal e estadual. Deltan não quis falar com a imprensa, mas participou do protesto.

– Essa é uma manifestação livre dessas pessoas, não quer dizer que esse movimento esteja apoiando qualquer tipo de manifestação. Elas têm liberdade – declarou o juiz Geraldo de Andrade Neto, presidente da Associação dos Magistrados do Paraná, sobre o ocorrido.

O ato, que durou cerca de uma hora, contou com falas de presidentes de diversas organizações de classe. A maior parte pediu que o projeto, que agora está nas mãos do presidente Jair Bolsonaro (PSL), seja vetado integralmente, pois inibiria ações de autoridades.

As autoridades afirmaram ainda que já há atualmente mecanismos de controle suficientes contra abusos e que outra proposta, menos “genérica”, poderia ser discutida pelos parlamentares.

– Pode acarretar uma eventual interpretação que venha a prejudicar o próprio andamento de uma investigação – declarou Bonat, juiz da Lava Jato que sucedeu Sergio Moro no posto.

Na ocasião, a procuradora-chefe do Ministério Público Federal no Paraná, Paula Conti Thá, fez um discurso.

– Esse projeto fere de morte atividades essenciais do Ministério Público por ele criminaliza ações que são a essência de atividades do órgão. Fere o princípio constitucional de independência e causa certa inversão porque criminaliza o investigador em detrimento da conduta investigada – declarou ela.

O promotor Andre Tiago Pasternak Glitz, presidente da Associação Paranaense do Ministério Público, foi incisivo no discurso dizendo que o texto do Congresso é uma reação ao trabalho que o “sistema de Justiça vem desempenhando nos últimos anos”. Ele também chamou de “abuso” o vazamento de mensagens trocadas entre procuradores da Lava Jato.

– Se eventualmente essas mensagens roubadas, furtadas e covardemente utilizadas indicarem ou levantarem a necessidade de uma discussão em torno de algum tema, como imparcialidade do juiz e utilização de prova ilícita, vamos discutir isso num ambiente adequado, no Congresso Nacional, e não em folhetim de imprensa marrom que utiliza covardemente dessas mensagens para atacar essas pessoas – afirmou.

*Folhapress

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