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Delação de Cabral denuncia corrupção na cúpula da Justiça

Relatos de corrupção, feitos pelo ex-governador, somam quase mil páginas

Paulo Moura - 18/05/2021 13h42 | atualizado em 18/05/2021 15h23

Ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Foto: Reprodução

Preso desde 2016 e acumulando atualmente 18 condenações, que totalizam mais de 342 anos de prisão, Sergio Cabral possui um número infindável de informações a respeito de práticas de corrupção executadas no submundo da política brasileira. Ouvido cerca de 10 vezes em 2019 por dois delegados da PF do Rio de Janeiro, a delação do ex-governador tem quase mil páginas.

No acordo firmado entre o ex-gestor e as autoridades, Cabral narrou esquemas de corrupção construídos e mantidos por ele durante os oito anos que comandou o governo fluminense.

Durante as investigações, os policiais verificaram datas, documentos entregues por Cabral, e checaram o compartilhamento de provas. Após o processo, os investigadores concluíram que o “relato é coerente”.

O material foi homologado, em fevereiro de 2020, no Supremo Tribunal Federal (STF), pelo fato de autoridades com foro privilegiado serem citadas, sendo dividido em 19 inquéritos. Contudo, seis meses depois, o então presidente da Suprema Corte, ministro Dias Toffoli, decidiu pelo arquivamento de 12 inquéritos.

Dos sete restantes, dois estão em andamento no STF – um é processo –, dois foram remetidos ao STJ e arquivados posteriormente, e outros três ainda não têm decisão. No entanto, outros 20 “casos criminais”, como se referem a eles os investigadores da PF, começaram a ser apurados pelos delegados a partir dos relatos de Cabral. Atualmente, este novo conteúdo está sob avaliação do STF.

Entre os pedido feitos pela PF com base na delação de Cabral estão a abertura de inquérito para investigar o ministro Dias Toffoli, o qual foi negado na última sexta-feira (14) pelo ministro Edson Fachin. De acordo com o depoimento de Cabral, Toffoli teria vendido sentenças favoráveis a dois candidatos a prefeituras fluminenses quando era presidente do TSE.

Na última semana, Fachin marcou para que o plenário virtual da Corte decida, entre os dias 21 e 28 de maio, se esse novo conteúdo da delação de Cabral deve ser considerado válido ou não.

Na sexta-feira (14) a Procuradoria-Geral da República (PGR) deu parecer contra investigação do conteúdo da delação de Cabral, reiterando que a delação segue inválida.

Segundo a emissora CNN Brasil, que teve acesso às 900 páginas da delação, é possível perceber que alguns relatos feitos pelo ex-governador do Rio esconderiam pagamentos de propina para barrar investigações e supostas compras de decisões da Justiça e de apoio político dos partidos.

Ainda conforme os relatos do próprio ex-governador do Rio, ele estaria diretamente envolvido no financiamento de campanhas eleitorais e também admitiu ter sido o interlocutor com importantes empresários que teriam pago propinas milionárias. Mesmo que afirme ter revelado tudo, a PF tem certeza de que muito do dinheiro desviado por ele nunca será localizado.

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