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Deputado federal tem feito duras críticas à Justiça brasileira

Gabriela Doria - 22/09/2020 15h40 | atualizado em 22/09/2020 16h28

Deputado Otoni de Paula foi o sétimo mais votado do estado do Rio de Janeiro Foto: Reprodução

Eleito com mais de 120 mil votos, o deputado federal Otoni de Paula Júnior (PSC) foi o sétimo mais votado do Rio de Janeiro, em 2018, para ocupar uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília. Desde então, tem se mantido fiel ao projeto político do presidente Jair Bolsonaro, a quem se declara “aliado”.

E, assim como muitos apoiadores do presidente, Otoni foi mais um dos parlamentares que entraram na mira de inquéritos polêmicos, por exemplo o que investiga supostas manifestações antidemocráticas que pediam o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. Recentemente, o deputado foi convidado pela Polícia Federal para que prestasse esclarecimentos.

Em conversa com o Pleno.News, Otoni de Paula comentou sobre a Justiça brasileira, a delicada situação política do Rio de Janeiro, cujo governador, Wilson Witzel, enfrenta um processo de impeachment, e o prefeito, Marcelo Crivella, pode ficar inelegível, além dos problemas internos de seu partido, o PSC, que tem em seu quadro o próprio Witzel e o pastor Everaldo, que está preso e se licenciou da presidência da sigla.

Recentemente o senhor foi intimado pela Polícia Federal a prestar depoimento sobre atos supostamente antidemocráticos a favor do governo e contra instituições como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Como o senhor recebe essa intimação?

Na verdade não houve uma intimação. Houve um convite para que eu possa contribuir com essa ação de investigação movida pelo STF. Eu, na verdade, vou esperar que eu seja realmente intimado, já que eu sou convidado e vou se eu quiser contribuir para o inquérito. Como eu não quero contribuir, eu acho que esse inquérito é desproposital. Eu cheguei à conclusão, com os meus advogados, que se a Polícia Federal realmente quer meu depoimento, ela vai me intimar, e ao me intimar, eu vou, obviamente, comparecer.

O senhor tem sido uma das vozes mais ativas a denunciar arbitrariedades da Justiça brasileira, sobretudo as praticadas pelo STF. Não teme mais represálias, além do próprio inquérito citado acima?

Quando eu vim para a vida pública, eu vim disposto a manter minha vida pautada pela verdade. E se algum tipo de represália, que eu creio que não existirá, for o preço que eu tenha que pagar por falar a verdade, então, estou disposto a enfrentar qualquer tipo de represália por denunciar aquilo que eu chamo de ditadura da toga, que é o que vivemos hoje, infelizmente, no Brasil.

O senhor se sente, de alguma maneira, intimidado ou censurado com este tipo investigação?

Não, de maneira nenhuma eu me sinto intimidado ou me senti censurado, embora a intimidação e a censura façam parte deste inquérito. Mas, eu não permito que esses sentimentos dominem a minha mente e nem que amordacem a minha coragem.

Acredita que inquéritos como o das fake News e das manifestações são tentativas “frear” o movimento de apoio ao presidente ou são atos legítimos da Justiça?

Sem dúvida alguma, há uma tentativa sim de frear as vozes da rua. Principalmente quando você quebra sigilos telefônicos de parlamentares que estão amparados e protegidos pela lei. Isto é um aviso que está se dando para as ruas, dizendo “olha, se a gente consegue fazer isso com um deputado federal, que tem as suas prerrogativas legais, o que nós não podemos fazer com quem está nas ruas, com o cidadão comum?”. Só que o que ninguém compreendeu ainda é que esse caminho não tem mais volta. O povo já se assenhoreou do seu direito de criticar qualquer servidor. Seja ele um político ou seja ele um ministro da alta corte.

Com o processo de impeachment contra o governador Wilson Witzel, de seu partido, em andamento e as recentes denúncias contra o prefeito Marcelo Crivella, o que os cariocas e fluminenses devem esperar do futuro a médio prazo?

Infelizmente, hoje o Rio de Janeiro é, politicamente, uma terra arrasada. Tanto no Governo do estado, quanto na Prefeitura do Rio, fluminenses e cariocas se sentem desolados com os desmandos. A nossa esperança é que venha um novo ciclo para o estado e para a cidade do Rio de Janeiro, a fim de que o estado e a cidade voltem a sorrir.

Como o senhor encara a recente “devassa” no seu partido, o PSC? Que providências tomou em resposta à sociedade?

Eu solicitei ao TSE [Tribunal Superior Eleitoral] um pedido de investigações nas contas do meu partido. E fiz isso quando eu descobri que meu partido estava sendo usado por uma organização criminosa. Portanto, ao pedir essa investigação, nada tenho contra os membros do partido, mas, precisamos entender que o fundo partidário trata-se de dinheiro público e precisamos ter transparência ao usá-lo. Se o presidente do partido, Everaldo, que está preso por corrupção, desvios de dinheiro público, conseguiu fazer isso no tempo em que ele agia dentro do governo do estado, porque não dentro do partido o mesmo comportamento? Por isso eu pedi essa investigação interna ao TSE.

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