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Miranda insinua que existe uma gravação de Bolsonaro

Deputado afirmou que, se Jair Bolsonaro desmenti-lo, o presidente terá uma "surpresa mágica"

Pleno.News - 26/06/2021 21h11 | atualizado em 27/06/2021 12h25

Deputado Luis Miranda ao lado do presidente Jair Bolsonaro Foto: Reprodução

No centro de denúncias de supostos desvios na compra da vacina indiana Covaxin, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) sugeriu neste sábado (26), pela segunda vez, que existe uma gravação que comprova que o presidente Jair Bolsonaro foi informado sobre o suposto esquema no Ministério da Saúde.

Segundo ele, se Bolsonaro desmenti-lo, o presidente terá uma “surpresa mágica”.

Miranda e o irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, “denunciaram” ontem à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid supostas irregularidades na compra da vacina. No depoimento, eles disseram ter avisado Bolsonaro há três meses sobre as suspeitas e sobre uma “pressão atípica” para acelerar a importação.

Na conversa, Bolsonaro teria citado o deputado federal Ricardo Barros (Progressistas-PR), líder do governo na Câmara, como o parlamentar que queria fazer “rolo” no ministério.

Após a declaração, o vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que a comissão irá analisar a possibilidade de comunicar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a ocorrência de suposto crime prevaricação de Bolsonaro, por não ter agido contra o esquema.

Em entrevista neste sábado ao site O Antagonista, Miranda afirmou que tem como provar suas declarações. Questionado se não seria a palavra do presidente contra a sua, ele afirmou que Bolsonaro, nesta situação, “vai ter uma surpresa mágica”.

– Se ele fizer isso (questionar minha versão), vou ter que fazer algo que nunca um parlamentar deve ter que fazer contra o presidente (…) Mas aí ele vai ficar constrangido, muito, porque eu tenho como provar. Mas na hora certa – disse o deputado.

Miranda reclamou, ainda, dos ataques recebidos por parte dos filhos de Bolsonaro, que o qualificam como traidor por ter denunciado a compra fraudulenta.

– Se ele [Bolsonaro] fizer isso, a gente vai ter que provar de um jeito que é totalmente desfavorável para o resto da carreira política dele. Se precisar, a gente prova. Só isso – disse Miranda, em referência à possibilidade de Bolsonaro contradizer sua versão.

Na entrevista, Miranda também não negou a existência de uma gravação da conversa com Bolsonaro.

– Tinha três pessoas na sala. Eu, como parlamentar, não gravaria. Mas vamos mudar este assunto, por favor? – desconversou.

A terceira pessoa na sala era justamente o servidor Luis Ricardo, irmão do deputado.

Esta foi a segunda vez que Miranda passou indicações de que existe uma gravação da conversa com o presidente. Em seu depoimento à CPI na sexta-feira, durante várias horas, ele evitou revelar aos senadores que o deputado supostamente envolvido no esquema era o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros. Em suas respostas, Miranda dizia não se lembrar do nome do deputado citado por Bolsonaro.

Durante questionamento do senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, Miranda afirmou que “tinha mania de gravar algumas conversas, mas eu não gravo conversa com o presidente…”. Na sequência, cometeu um ato falho: “Mas posso procurar na gravação (o nome do deputado do esquema), assim o presidente (Bolsonaro) também não poderia me desmentir, né?”

Ao contrário dos demais imunizantes, negociados diretamente com seus fabricantes (no País ou no exterior), a compra da Covaxin pelo Brasil foi intermediada pela Precisa Medicamentos. A empresa virou alvo da CPI, que autorizou a quebra dos sigilos telefônico, telemático, fiscal e bancário de um de seus sócios, Francisco Emerson Maximiano. O depoimento do empresário na comissão estava marcado para esta semana, mas ele alegou estar em quarentena após voltar da Índia e não compareceu.

Além da Precisa, Maximiano é presidente da Global Saúde, empresa que já foi alvo de ação por irregularidades em contrato com o Ministério da Saúde em 2018. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público Federal do Distrito Federal à época em que Ricardo Barros, hoje líder do governo Bolsonaro, era ministro. Na ocasião, a pasta pagou R$ 20 milhões para comprar remédios de alto custo a pacientes com doenças raras, mas os produtos nunca foram entregues.

*AE

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