Coppolla critica amizade entre Bolsonaro, Toffoli e Alcolumbre
Comentarista da CNN falou sobre a escolha de Kassio Nunes para o STF e fez críticas ao presidente
Henrique Gimenes - 06/10/2020 17h27 | atualizado em 06/10/2020 17h59

Durante a edição do Grande Debate da CNN desta segunda-feira (5), o comentarista Caio Coppolla falou sobre a escolha do desembargador Kassio Nunes para o Supremo Tribunal Federal (STF) e criticou o relacionamento entre o presidente Jair Bolsonaro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o ministro Dias Toffoli, do STF.
Logo no início da atração, Coppolla falou sobre o encontro entre os três e apontou uma “intimidade constrangedora”.
– Finalmente eu tenho a oportunidade de comentar a indicação do senhor Kassio Nunes para o STF. Mas eu faço isso consternado pela imagem nauseante do afeto manifestado pelo presidente da República e o ministro petista do STF. No sábado, Jair Bolsonaro e Dias Toffoli foram flagrados numa intimidade constrangedora que precedeu uma reunião que sequer constava na agenda oficial de ambos. A pretexto de assistir uma partida de futebol, o presidente passou horas na casa do ministro junto com o senhor Davi Alcolumbre, líder do Centrão, interessado em violar a Constituição Federal para permanecer ilegalmente na presidência do Senado – explicou.
O comentarista então criticou o abraço dado por Bolsonaro em Dias Toffoli.
– É uma tristeza para o Brasil saber que o tempo livre de lazer do presidente da República é desfrutado em tão má companhia. Sobre o que foi conversado nesse encontro entre camaradas, a gente só pode especular. Mas as câmeras capturaram uma cena chocante, o abraço comprometedor entre Bolsonaro e Toffoli. Seria esse o tal abraço hétero ao qual sempre se referiu o presidente da República? Me pareceu mais um abraço cúmplice, coroado por aquele sorriso de quem se entende apenas pelo olhar – disse.
Para ele, o encontro na casa do ministro do STF foi um insulto, já que o Poder Judiciário deveria ter “compromisso com a imparcialidade”.
– Mas acima de tudo, foi um abraço antirrepublicano. Fruto de uma amizade tão recente quanto indevida, pelo simples fato de que Dias Toffoli foi e provavelmente ainda será juiz de causas do interesse do presidente da República e de sua família (…) O Poder Judiciário tem como uma de suas principais atribuições fiscalizar e julgar os excessos dos demais poderes. Por isso é tão aviltante ver o presidente do Senado e o presidente da República em pleno final de semana, em trajes informais, confraternizando aos risos na casa de um ministro do STF que deveria ter um compromisso com a imparcialidade. Aquele abraço carinhoso e indecoroso não é só um abraço de quem quer governar, é um abraço de quem quer ou de quem precisa se associar – argumentou.
Coppolla também lembrou do encontro ocorrido na semana passada na casa do ministro Gilmar Mendes, do STF.
– Foi justamente um encontro semana passada, na casa do senhor Gilmar Mendes, que sacramentou a indicação do doutor Kassio Nunes ao STF. E vejam que coincidência, Gilmar Mendes é o relator da ação contra [o senador] Flavio Bolsonaro no STF. O que significa isso na prática? Que o presidente da República escolheu o seu primeiro indicado ao STF para agradar os dois ministros do Supremo responsáveis pelo processo do seu filho. E fez questão de visitá-los em casa numa demonstração pública de submissão disfarçada como um ato de cordialidade – ressaltou.
Por fim, ele lembrou que a escolha de Bolsonaro para o STF não foi a primeira vez que o presidente “faz uma indicação que contraria o seu compromisso de campanha de endurecer o enfrentamento ao crime e à impunidade”.
– E não é a primeira vez que o presidente faz uma indicação que contraria o seu compromisso de campanha de endurecer o enfrentamento ao crime e à impunidade. Sob gestão do novo procurador-geral da República nomeado por Bolsonaro fora da lista tríplice, o combate à corrupção está sofrendo grandes abalos com a desarticulação de forças-tarefa e demissão em massa de procuradores indignados – destacou.
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