COP30 mantém acordo de R$ 123 milhões com empresa suspeita
A J.A Construcons é investigada por corrupção
Monique Mello - 11/08/2025 11h51 | atualizado em 11/08/2025 12h29

Apesar de estar na mira da Procuradoria-Geral da República (PGR) por suspeitas de irregularidades em contratos públicos, a construtora J.A Construcons continua operando normalmente e executando um projeto milionário com verbas públicas no Pará. A empresa integra o consórcio Canal Benguí, responsável por obras de adequação de canais em Belém, um dos projetos ligados à preparação da cidade para sediar a COP30 em 2025.
O contrato, orçado em R$ 123 milhões e com 87% dos serviços já concluídos, é financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Apesar da gravidade das investigações em curso, nenhuma medida foi tomada até o momento para suspender ou revisar o acordo.
A assinatura do contrato levanta ainda mais suspeitas por envolver a empresária Andrea Dantas, esposa do deputado federal Antônio Doido (MDB-PA), e o secretário estadual de Obras Públicas, Ruy Cabral. Ambos também são investigados em outro processo da PGR, que apura um contrato de R$ 142 milhões cancelado após a prisão de um policial militar acusado de movimentações financeiras suspeitas.
Segundo a PGR, no mesmo dia em que o consórcio venceu a licitação do contrato de R$ 142 milhões, o policial Francisco Galhardo teria sacado R$ 6 milhões em espécie e mantido contato direto com o secretário Ruy Cabral. O Ministério Público suspeita que J.A Construcons e JAC Engenharia estejam envolvidas em um esquema de corrupção que atravessa estruturas públicas e políticas no estado.
Apesar do cenário alarmante, o governo federal, por meio do BNDES, mantém-se numa posição passiva. O banco alega que sua atuação se restringe ao “acompanhamento técnico e financeiro” dos repasses e que ainda não foi oficialmente informado sobre qualquer irregularidade.
O governo do Pará afirmou por meio de nota que todas as contratações seguem a legislação vigente e que não há relações comerciais com integrantes da Polícia Militar. Ainda segundo o governo estadual, o secretário Ruy Cabral não teria se reunido com o policial citado e tampouco foi notificado de qualquer processo oficial.
A defesa do deputado Antônio Doido classificou como “ilações” as suspeitas e repudiou o vazamento de informações. Reforçou ainda que o parlamentar está à disposição das autoridades e confia na legalidade dos atos praticados em seu mandato.
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