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Colunista de O Globo: Moraes age por ‘capricho’, ‘não por princípio’

Malu Gaspar manifestou irritação com Moraes por não ter punido Jair Bolsonaro antes

Marcos Melo - 07/08/2025 20h05 | atualizado em 08/08/2025 11h59

Ministro Alexandre de Moraes, do STF Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

A colunista do jornal O Globo, Malu Gaspar, afirmou, nesta quinta-feira (7), que as escolhas feitas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “são mais guiadas por capricho do que por princípio”.

A jornalista manifesta sua insatisfação com Moraes pelo fato de ele não ter prendido Bolsonaro quando ele se refugiou por dois dias na embaixada da Hungria. Para ela, “ali estavam claros o risco de fuga e a intenção de obstruir a Justiça — razões clássicas para a obrigação de usar tornozeleira ou a prisão preventiva”.

– Moraes preferiu pegar leve. Descartou qualquer medida, afirmando que embaixadas não são extensões de território estrangeiro e que Bolsonaro não tinha violado a “proibição de se ausentar do país”. Ficou por isso mesmo, por escolha do ministro – lamentou.

Quanto à imposição do uso de tornozeleira eletrônica ao líder da direita, Malu Gaspar disse que não há razoabilidade na decisão, uma vez que “o inquérito todo é baseado nas ameaças que Eduardo tem feito contra o Brasil e o Supremo” e apenas Jair Bolsonaro foi impedido pelo magistrado de usar as redes socias.

– Foram bloqueadas as contas bancárias do deputado e de sua mulher, mas, ao contrário do pai, ele continua livre para postar de tudo sem restrição.

Em seguida, a colunista do jornal carioca disse que “interlocutores de Moraes afirmam que ele preferiu não dar uma ordem que não seria cumprida”, mas “isso não tem nada a ver com a soberania nacional nem segue a lógica de outras decisões do próprio Moraes contra investigados que postavam suas diatribes a partir do exterior”. Para ela, não se trata de uma decisão em observância ao direito, “foi, de novo, uma escolha” do ministro.

– Agora, ao se decidir pela prisão domiciliar, Moraes escolheu responder com uma demonstração de poder ao desafio representado pelas manifestações contra o Supremo. Claro que os Bolsonaros sabiam do risco de ser alvo de alguma medida restritiva. Mas se escudaram numa decisão confusa do próprio Moraes, segundo a qual o ex-presidente não estava proibido de fazer discursos ou dar entrevistas desde que não afrontasse a soberania ou as instituições em redes sociais.

No fim de seu texto – que cobra postura ainda mais punitivista por parte de Moraes a Bolsonaro – Malu Gaspar destaca que a Justiça deve batalhar por princípios, e não ser pautada por interesses políticos ou pessoais.

– Quando isso acontece, as escolhas se transformam em mero capricho. E a Justiça não pode estar sujeita aos caprichos de seus integrantes.

A colunista de O Globo, além de admitir que Moraes age por vaidade contra Bolsonaro, reclama pelos vícios do magistrado que, para ela, já poderiam ter encarcerado o ex-presidente e terminado com esse jogo, que pode sofrer um revés por parte de uma direita energizada, que, apoiada por grande parte da população, parece só aceitar a vitória como resultado.

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