Câmara: Presidente de Comissão diz que Marina foi ‘adestrada’
Ministra do Meio Ambiente compareceu à Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados
Pleno.News - 16/10/2024 20h21 | atualizado em 17/10/2024 07h33
O presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, Evair de Melo (PP-ES), criticou a titular da pasta do Meio Ambiente, Marina Silva, e bateu boca com a ministra nesta quarta-feira (16).
O deputado, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sugeriu que a ministra havia sido “adestrada” para comparecer à reunião na Câmara, ao que Marina o contestou.
– Quero repudiar a forma de vitimização que, mais uma vez, essa ministra se comporta aqui na casa do povo. A retórica é conhecida e já a enfrentei muitas vezes no plenário. O media training da ministra, tem que dar parabéns a quem a treinou. Até esse adestramento para ter essa postura – disse Evair.
Ele foi interrompido logo em seguida por Marina.
– Quem é que é adestrado? Tenha santa paciência. O senhor não vai me dizer que sou uma pessoa adestrada – respondeu a ministra.
O deputado continuou.
– Nenhum questionamento objetivo dos parlamentares foi respondido. A ministra claramente traz uma retórica de militância. Quero lamentar que, com essa condução, vamos virar fumaça e cinza. Não vou retirar nenhuma palavra dita, muito menos as verdades, mentiras e suposições com que a ministra se referiu ao agro brasileiro. Fico impressionado – apontou.
Evair de Melo, então, provocou a ministra a citar declarações antigas dela em relação ao presidente Lula.
– Façam uma pesquisa simples: Marina Silva, Lula, corrupto. Sim, em muitas ocasiões Marina Silva classificou Luiz Inácio Lula da Silva como corrupto. Em 2018, ela destacou que Lula havia sido condenado em 2ª instância e tinha que pagar pelos crimes que cometeu – afirmou.
Logo em seguida a reunião foi encerrada.
Mais cedo, a ministra discutiu com deputados da oposição. O próprio presidente da comissão bateu boca com a ministra em alguns momentos. Deputados acusaram Marina de não responder aos questionamentos.
Em vários momentos, deputados dirigiram-se à ministra com tom de voz elevado, com dedo em riste, troca de acusações e ânimos alterados. A ministra disse que comparece à comissão quantas vezes for necessário, que não teme e citou vários trechos bíblicos.
Em discussão acalorada com a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), que disse que a ministra deveria deixar o cargo, Marina chamou-a indiretamente de ambientalista por conveniência.
– Capacho é quem faz discurso de encomenda. Mesmo conhecendo a biografia de uma pessoa, faz discurso de encomenda, para fazer lacração. E vem aqui fazer acusações inverídicas. Isso é ser capacho – atacou a ministra.
Marina questionou a condução da reunião pelo presidente da comissão e citou que, na condição de convidada, estava sendo alvo de palavras ofensivas e de baixo calão.
– Vossa Excelência está com dificuldade de presidir – disse a ministra.
Evair rebateu que não iria responder porque aprendeu a lidar com ignorância na vida política, e Marina retrucou.
– Deveria aprender a suportar a própria ignorância.
*AE
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