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Boulos cita risco de fim da escala 6×1 ser engavetada no Senado

Ministro comparou contrariedade à proposta com oposição ao fim da escravidão

Pleno.News - 12/05/2026 11h12 | atualizado em 12/05/2026 14h35

Guilherme Boulos, ministro da Secretaria Geral da Presidência Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta terça-feira (12), em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que há um risco de o fim da escala 6×1 sofrer uma manobra no Congresso.

Segundo Boulos, a artimanha seria a Câmara votar a proposta de emenda à Constituição (PEC), em detrimento do projeto de urgência constitucional enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em abril. Desta forma, a proposta ficaria engavetada no Senado.

– É um perigo votar na Câmara a PEC e não votar o PL com urgência constitucional e, como a PEC não tem urgência constitucional, ela é aprovada na Câmara, mas fica dormindo em berço esplêndido no Senado. Esse é um risco real que a sociedade precisa estar atenta para evitar que isso aconteça – disse.

O ministro da Secretaria-Geral também se mostrou contrário às propostas de transição discutidas no Congresso. De acordo com Boulos, propostas que preveem que a escala seja reduzida em até cinco anos são uma forma de tentar “empurrar com a barriga”.

– Quando aprova penduricalho, privilégio, desoneração para grande empresário, vale no dia seguinte que for aprovado; quando banco aumenta juros, está contando no seu cartão no dia seguinte. Agora, quando é uma medida para beneficiar trabalhador, vai valer daqui a um, dois e cinco anos? Que critério é esse? – declarou Boulos.

No Bom Dia, Ministro, Boulos também declarou que lideranças do agronegócio que são contrárias ao fim da escala 6×1 seguem a mesma lógica dos produtores rurais que se opuseram ao fim da escravidão, em 1888, ainda na época do Império.

– Algumas das lideranças empresariais pensam com essa lógica. Vi lideranças do agro, principalmente as bolsonaristas, dizendo isso. São aquelas que, quando teve a Lei Áurea, deveriam dizer que não se pode acabar com a escravidão porque vai acabar com o desenvolvimento econômico – afirmou.

Boulos também voltou a dizer que a proposta é vítima de uma “conversa de terrorismo” por parte do setor econômico, que afirma que ela terá sérias consequências econômicas. Ele disse ainda que a totalidade do setor é contrária à medida:

– Vamos ser francos, grande empresário nunca vai defender o trabalhador – assinalou.

O ministro também atacou a proposta do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) que prevê que o governo compense empresários pela redução da jornada de trabalho. Boulos chamou a medida de “bolsa-patrão” e qualificou-a como um “absurdo”.

*AE

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