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Bolsonaro: Povo está ‘vibrando’ com novo decreto de armas

Presidente editou regras para facilitar compra de armas

Gabriela Doria - 15/02/2021 08h36 | atualizado em 15/02/2021 09h38

Presidente Jair Bolsonaro celebra novo decreto a favor do armamento Foto: PR/Alan Santos

Ao ser questionado pelos jornalistas sobre os decretos que facilitam o acesso a armas e munições no país, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou neste domingo (14) que “o povo ‘tá vibrando”. A declaração foi dada logo após o presidente encontrar apoiadores na saída do Forte Marechal Luz, em São Francisco do Sul (SC), onde passa o Carnaval com a família. Os jornalistas insistiram no assunto, mas Bolsonaro se negou a responder. “Só falo se estiver ao vivo”, disse, já deixando o local.

Mais cedo foi a vez do filho e deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PSL), cobrar apoio aos decretos durante um encontro com apoiadores. “Cadê o rapaz que queria arma?”, perguntou Eduardo ao grupo de pessoas que aguardava o presidente na praia, no fim da manhã.

Em tom de jogral, Eduardo fez críticas a antigas gestões de esquerdas.

– Vocês estão com saudades do BNDES mandando dinheiro para Cuba? Criança na escola é para aprender sexo? – questionou, ouvindo na sequência um coro de “não”.

Ele também provocou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Se o Lula vier aqui, vai ter esse carinho todo?”, questionou o filho 03 de Bolsonaro ao grupo de apoiadores do pai.

Mas houve a mesma receptividade entre os presentes quando Eduardo falou sobre o recém-publicado decreto das armas, que flexibiliza a compra de armas e munição. Os vídeos foram postados na rede social do deputado federal.

As cenas gravadas por Eduardo ocorreram no retorno de uma pescaria. Como o forte onde estão hospedados tem acesso direto ao mar, a presença do presidente alterou a rotina da praia. O acesso ao mar é controlado por seguranças, e todos precisam passar por revistas.

MUDANÇAS
No fim da noite de sexta-feira (12), o governo federal alterou quatro decretos de 2019 que regulam a aquisição de armamento e munição por agentes de segurança e grupos de colecionadores, atiradores e caçadores (CACs). As alterações flexibilizam os limites para compra e estoque de armas e cartuchos.

Entre as mudanças estão o aumento, de quatro para seis, do número máximo de armas de uso permitido para pessoas com Certificado de Registro de Arma de Fogo, a possibilidade de substituir o laudo de capacidade técnica – exigido pela legislação para colecionadores, atiradores e caçadores – por um “atestado de habitualidade”, emitido por clubes ou entidades de tiro.

Outra mudança é a permissão para que atiradores e caçadores registrados comprem até 60 e 30 armas, respectivamente, sem necessidade de autorização expressa do Exército.

Neste sábado (13), Bolsonaro citou o referendo de 2005 ao divulgar, no Twitter, a publicação dos decretos.

– Em 2005, via referendo, o povo decidiu pelo direito às armas e pela legítima defesa – afirmou.

A consulta popular levou à derrubada de um artigo do Estatuto do Desarmamento que proibia o comércio de armas no país.

*Estadão

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