Bolsonaro elogia Tarcísio e fala em ‘aulas particulares’ de política
Ex-presidente ofereceu aulas ao governador de São Paulo
Pleno.News - 17/06/2025 21h47 | atualizado em 18/06/2025 12h35
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta terça-feira (17), que é necessário “saber preencher os espaços com bons nomes” durante participação na Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte), ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
– Certas coisas não sabemos como acontecem. Só Deus explica. Uma sobrevida, um mandato. E mais difícil do que um mandato é como você vai preencher os espaços. Se a gente não preencher os espaços com bons nomes, o pessoal ruim toma conta – disse Bolsonaro durante discurso na abertura do evento.
A fala se refere às especulações sobre quais nomes poderiam sucedê-lo em 2026, uma vez que o ex-presidente permanece inelegível.
Bolsonaro se referiu ao governador como um “baita de um gestor” que “conhecia pouca coisa em São Paulo, mas tem uma capacidade enorme de síntese”.
Para o ex-presidente, depois de Tarcísio ter sentido “o gostinho da política”, ele “não sai mais”.
– Tem um grande futuro pela frente. Um baita de um gestor. Na política já aprendeu 95%, só falta cinco. Depois eu dou umas aulas particulares para você. Se é que já não pegou com o [Gilberto] Kassab – concluiu.
O governador paulista é um dos principais nomes no campo da direita para suceder o ex-presidente, apesar de repetir publicamente que não é candidato. Na última semana, no entanto, como mostrou o Estadão, Tarcísio recebeu um recado de que Bolsonaro estaria disposto a apoiá-lo em 2026 com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ocupando a candidatura a vice.
Tarcísio e Michelle despontam como as principais opções para suceder Bolsonaro no próximo ano. Durante seu discurso, Bolsonaro afirmou que ninguém “foi mais perseguido” que ele e que uma eleição sem sua presença “é negação da democracia”.
– Acredito que é possível mudar. Tem muita gente boa aqui no Brasil. Quando eu falo em partido não é o PL não. Tem PSD, tem gente boa, o PR. Tanta gente. E dá para mudar o destino do Brasil. Peço para nós votarmos não com coração ou emoção. Mas votarmos com razão. Espero poder estar no tabuleiro político o ano que vem. Eleição sem Jair Bolsonaro é negação da democracia – disse.
Ao secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD), Bolsonaro afirmou que precisa apenas de 50% da Câmara dos Deputados para “mudar o Brasil”, e que o restante pode ficar com outros partidos, como PSD e PR.
Já o governador Tarcísio abriu sua fala agradecendo ao ex-presidente por “apostar” em seu nome e afirmou que Bolsonaro “mudou a lógica”.
– Não consultou partidos políticos para montar o seu ministério. Pegou um cara desconhecido lá, colocou na infraestrutura – disse.
Ao citar o que considerou as principais entregas de Bolsonaro para o país durante sua gestão, Tarcísio afirmou que o ex-presidente é uma referência para ele e que sua missão não acabou.
– O senhor ainda vai contribuir muito para o Brasil. O senhor vai fazer a diferença. E sempre é bom estar com o presidente Bolsonaro. É uma forma de a gente reenergizar – disse.
O governador paulista ainda agradeceu ao seu vice, Felício Ramuth (PSD), pela “parceria e companheirismo” e ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), afirmando que o deputado “tem sido gigante” na liderança do legislativo estadual.
– São Paulo está dando exemplo para o Brasil, São Paulo topou várias discussões importantes. Topou a discussão da longevidade, do financiamento do SUS, da desvinculação de receita, da reforma administrativa. Aquilo que o Brasil tem que fazer, São Paulo já está fazendo. Graças à liderança do André do Prado, graças ao nosso parlamento estadual – afirmou.
O deputado é um dos nomes do campo da direita cotados para substituir Tarcísio no caso de uma candidatura presidencial. Além do presidente da Alesp, Kassab e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) também se movimentam para encabeçar uma chapa na ausência de Tarcísio.
*AE
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