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Bolsonaro alfineta Alcolumbre: “Se quer indicar, se candidata”

Presidente sugeriu que o parlamentar trava a sabatina de Mendonça para conduzir outro nome ao STF

Pleno.News - 10/10/2021 21h52 | atualizado em 11/10/2021 14h00

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da República Jair Bolsonaro Foto: Carolina Antunes/PR

O presidente Jair Bolsonaro criticou o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) por não pautar a sabatina de André Mendonça na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, primeira etapa para a análise do nome do ex-ministro da Justiça para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em entrevista coletiva no litoral de São Paulo, onde passa o feriado prolongado, Bolsonaro insinuou que o parlamentar estaria travando a apreciação por ter interesse em conduzir outro nome para a Corte.

– A indicação é minha. Se ele quer indicar alguém para o Supremo […], ele se candidata a presidente ano que vem – afirmou Bolsonaro, que até agora vinha evitando criticar abertamente Alcolumbre.

O senador do Amapá que preside a CCJ disse na semana passada que ainda não pautou a sabatina de Mendonça por não haver “consenso” em torno da indicação. Bolsonaro, por sua vez, atribuiu a demora a um suposto jogo político por parte do senador.

Segundo o presidente, o parlamentar estaria se antecipando ao plenário da Casa e impedindo a sabatina por não querer dar prosseguimento à indicação.

– Ele pode votar contra, mas o que ele está fazendo não se faz – reclamou.

Bolsonaro afirmou ainda que o parlamentar estaria rompendo com a boa relação que os dois tiveram no passado, sem retribuir inclusive o apoio que o presidente teria dado à eleição de Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

– Está indo para três meses que está lá no forno o nome do André Mendonça. Quem não está permitindo a sabatina é o Davi Alcolumbre, uma pessoa que eu ajudei por ocasião das eleições dele (no Senado). Depois, ele pediu ajuda para eleger o Rodrigo Pacheco, e eu ajudei. Teve tudo o que foi possível durante os dois anos comigo e, de repente, ele não quer o André Mendonça – disse o presidente.

Bolsonaro encaminhou o nome de Mendonça para apreciação do Senado em julho. A indicação é um aceno de Bolsonaro à sua base de apoio evangélica, que espera o cumprimento de sua promessa de levar à Corte um nome “terrivelmente evangélico”.

Seguindo os ritos constitucionais, Mendonça precisa do voto de pelo menos 41 dos 81 senadores para ser aprovado para a Corte. Já à época de sua indicação, o ex-advogado-geral da União sabia da resistência que enfrentaria na Casa. Um dia antes de oficializar seu nome, em julho, Bolsonaro afirmou que o pastor vinha fazendo “peregrinação no Senado Federal”, em busca de apoio.

Em mensagem publicada nas redes sociais naquele mês, Mendonça confirmou o movimento.

– De forma respeitosa, buscarei contato com todos os membros que têm a elevada missão de avaliar meu nome – escreveu.

Mendonça foi ministro da Justiça e Segurança Pública entre abril de 2020 e março deste ano. À frente da Pasta, foi alvo de queixa-crime por supostos crimes de responsabilidade, acusado de utilizar o cargo para intimidar opositores do presidente Bolsonaro e de recorrer à Lei de Segurança Nacional (LSN) como “instrumento de perseguição”.

*AE

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