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Bolsonaro: “Cadê a parte do vídeo que eu interfiro na PF?”

Em entrevista à imprensa, presidente criticou Sergio Moro e disse que a "PF começou a andar para a frente" após sua saída

Henrique Gimenes - 22/05/2020 20h28

Presidente Jair Bolsonaro durante entrevista à CNN Foto: Reprodução

Nesta sexta-feira (22), o presidente Jair Bolsonaro falou sobre o vídeo da reunião ministerial ocorrida no dia 22 de abril e questionou em qual momento da gravação há indícios de que tentou interferir na PF. A declaração foi dada durante uma entrevista à imprensa.

A gravação faz parte de um inquérito aberto após Sergio Moro pedir demissão do Ministério da Justiça e acusar Bolsonaro de tentar interferir no órgão. O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo do vídeo nesta sexta.

Ao comentar a situação, o presidente criticou seu ex-ministro da Justiça e disse que o vídeo não prova nenhuma tentativa de interferência.

– Dei toda a carta branca para ele. Um homem que realmente vai estar empenhado com o futuro do Brasil. Mas tudo bem, isso faz parte do passado (…) Repito para toda a mídia, cadê a parte desse vídeo de 2 horas onde minimamente tem indícios de que eu teria interferido na Polícia Federal, ou na superintendência no Rio de Janeiro ou na Diretoria-Geral da PF? – questionou.

Bolsonaro também falou que não tem interesse em ser reeleito, mas sim atender aos desejos da população.

– Não tem nada. Um traque. A montanha pariu um oxiúros (…) A intenção não é essa, ser reeleito, eu só quero que o Brasil se acerte. Eu só quero que os políticos, nós todos, atendam ao interesse maioria da população, que é conservadora, que crê em Deus, que zela pela família. Que respeite o próximo, que tenha boas relações internacionais. Que valorize o que temos aqui dentro. Queremos isso, paz, liberdade. Deus, pátria e família. Só isso, mais nada. É o que o povo quer. E nós, políticos, somos escravos da vontade popular. O povo é que dá o norte para nós. Mais uma página virada – explicou.

Durante a entrevista, o presidente também fez críticas ao governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel.

– Moro, eu não quero que me blinde, mas você tinha a missão de não deixar eu ser chantageado. Nunca tive sucesso para nada. Era obrigação dele me defender. Não de corrupção, de dinheiro encontrado no exterior. Não, era defender o presidente para que ele possa trabalhar, tez paz. Contra uma pessoa que tem obsessão por uma faixa presidencial. Não consegue administrar o Rio de Janeiro e quer ser presidente da República – apontou.

Ele também disse que a PF começou a trabalhar melhor após a saída de Moro.

– Coincidência. Só depois da saída de Sergio Moro é que a PF começou a andar para a frente. Eu nunca interferi. Sempre liberdade total. Agora eu tenho mais que o direito, o dever, do que souber de errado em qualquer lugar do Brasil, como sempre fiz, encaminhar ao Ministério da Justiça para apuração (…) Lamento mais uma vez a forma como o senhor Sergio Moro atirando – ressaltou.

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