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Bispo Abner Ferreira: ‘Nenhum candidato será demonizado’

Líder cristão disse que a Assembleia de Deus apoiará reeleição de Bolsonaro, mas não fará campanha contra outros candidatos

Pleno.News - 04/01/2022 16h05 | atualizado em 04/01/2022 16h56

Bispo Abner Ferreira
Bispo Abner Ferreira Foto: Divulgação

Um dos principais líderes religiosos da Assembleia de Deus, o bispo Abner Ferreira, de 58 anos, afirmou que a igreja não vai “demonizar” nenhum candidato ao Palácio do Planalto neste ano. A denominação pentecostal tem um acordo para apoiar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro, mas rechaça fazer campanha contra outros candidatos.

– Nenhum pastor tem direito de dizer “esse é de Deus, e esse é do diabo”. E eu descobri que Deus e o diabo estão em todos os partidos – disse Ferreira ao Estadão.

O bispo não vê, porém, espaço para a terceira via nas próximas eleições. O Ministério de Madureira, comandado pelo clã Ferreira, é um dos mais poderosos da Assembleia de Deus.

O ex-juiz Sergio Moro quer atrair o segmento evangélico para sua campanha presidencial. Ele tem chances?
Toda candidatura é legítima. Se vai ter apoio ou não, é uma outra questão. Hoje nós temos um apoio declarado ao presidente Jair Bolsonaro.

Moro procurou os bispos de Madureira? Ele tem porta aberta para conversas?
Nunca conheci o senhor Sergio Moro. Acho que ele terá muita dificuldade para ter sucesso entre os evangélicos, em razão do apoio a Bolsonaro. Mas nenhum candidato será demonizado na Convenção de Madureira. Nenhum pastor tem direito de dizer “esse é de Deus, e esse é do diabo”. E eu descobri que Deus e o diabo estão em todos os partidos.

O bispo primaz Manoel Ferreira, seu pai, fez uma reunião com o ex-presidente Lula e posou abraçado com ele. É indicativo de voto?
Foi um encontro de um pastor que foi cumprimentar alguém que já foi presidente da República e com quem tivemos uma relação muito respeitosa. Eu tenho respeito pela história do Lula, não nego jamais.

Institutos de pesquisa indicam certa simpatia pelo ex-presidente Lula entre evangélicos, similar ou até maior que a Bolsonaro. A razão é a economia?
Não é só isso, não. Lula tem um capital político. Ninguém tira isso dele. Estamos a menos de um ano da eleição, e as pedras começam a ser colocadas. Não vejo lugar para uma terceira via. Os outros candidatos são legítimos, mas acho que temos dois projetos de poder muito claros.

O que a igreja evangélica espera do novo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, em pautas como aborto, por exemplo?
Que ele seja um excelente ministro do STF e, nos julgamentos, faça-os fundamentado na Constituição e nas leis vigentes. Ele não tem cargo político. Ele é magistrado.

Se Lula vencer, as igrejas vão fazer oposição?
A Bíblia nos ensina a orar por todas as autoridades constituídas. Depois de proclamado o resultado, aquele que for eleito ou reeleito passará a ter o respeito e as orações da igreja.

A condução do governo na pandemia mereceu críticas?
Não só aqui, no mundo inteiro, todos os governos tiveram acertos e erros. Nós estamos vivendo com um inimigo invisível. Eu fiquei quatro meses pregando para banco, na catedral em Madureira. Eu disse que, se o banco não se convertesse agora, eu não converteria mais.

O nome da igreja foi citado em delação na Lava Jato por suspeita de lavagem de dinheiro do então deputado Eduardo Cunha. O que o senhor pode falar sobre o caso?
Não quero falar sobre isso. A verdade sempre prevalece. Nunca fizemos qualquer tipo de apoio fundado nesse tipo de relação. A igreja trabalha com duas fontes de recurso voluntárias: oferta e dízimo. O que passa disso é malvadeza, especulação e querer levar a igreja para essa raia miúda. Sou pastor há 37 anos e nunca recebi dinheiro público.

*AE

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