Barroso diz que governos Lula tiveram os melhores indicadores
Ministro deu declarações em uma entrevista
Pleno.News - 29/09/2025 18h08 | atualizado em 29/09/2025 18h31

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, passou o posto de presidente da Corte para o ministro Edson Fachin, nesta segunda-feira (29). Na semana passada, ele teria ficado emocionado várias vezes por causa da mudança e concedeu uma entrevista para a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, para falar sobre sua atuação no Supremo. Barroso também elogiou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na avaliação do ministro, “os governos Lula foram, objetivamente, os que tiveram os melhores indicadores”.
— Há muito ainda por fazer no Brasil. Mas estamos andando para a frente, mesmo que não na velocidade desejada. Eu contratei um economista no Supremo e pedi para ele fazer uma planilha objetiva sobre o Brasil desde a redemocratização, do governo [Fernando] Collor ao Lula 3. (…) Nós melhoramos em tudo. E os governos Lula foram, objetivamente, os que tiveram os melhores indicadores. Sou juiz, e juiz não deve ter preferências políticas. Mas este é um fato. Os sistemas de representação política se desgastaram em todo o mundo. A economia do conhecimento, decorrente da revolução tecnológica, criou grandes fortunas e alguns achatamentos sociais. As pessoas, em algumas camadas, estão estagnadas. Houve, ao mesmo tempo, um avanço importante dos direitos das mulheres, das pessoas negras, da comunidade LGBTQIA+, das pessoas com deficiência, das populações indígenas. E a parcela da sociedade que estava no topo, branca, heterossexual e masculina, digamos assim, perdeu a hegemonia. Tudo isso abriu espaço para o populismo autoritário que, em várias partes do mundo, uniu excluídos e ricos contra um sistema, o da democracia — que é o melhor de todos, mas que ainda não entregou todas as suas promessas. Minha sogra, que é holandesa, não tinha muita simpatia por ele. Mas, em dez minutos, Lula arrumou uma fã apaixonada. Ele tem a capacidade de seduzir as pessoas — falou o ministro.
Na mesma entrevista, Barroso relembrou os tempos da Operação Lava Jato e também seu voto de 2018 que contribuiu para que Lula fosse preso na época. Ele disse que não se arrepende.
O ministro também deu declarações sobre sua possível saída do STF.
– Sair do Supremo é uma possibilidade, mas não é uma certeza. Eu verdadeiramente ainda não tomei essa decisão. Quando minha mulher [Tereza] estava viva, eu tinha esse compromisso com ela [de sair do STF depois que deixasse a presidência]. Ela já estava doente, mas a gente tinha a pretensão de passear um pouco, de ter uma vida mais leve. Essa motivação eu já não tenho mais [Tereza morreu em 2023]. Então, estou ainda verdadeiramente pensando no que fazer. Às vezes, tenho a sensação de já ter cumprido o meu ciclo [no STF]. Às vezes, penso que ainda poderia fazer mais coisas. Estou falando da forma mais franca possível, do fundo do meu coração — disse.
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