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Cristã, Suéllen Rosim encara seu trabalho como uma missão de Deus

Natalia Lopes - 08/03/2021 10h35 | atualizado em 08/03/2021 11h09

A prefeita em seu gabinete na Prefeitura de Bauru Foto: Reprodução

Ela tem apenas 32 anos, mas canta desde a infância, formou-se em jornalismo e deixou a carreira de jornalista/apresentadora, em uma afiliada da Rede Globo, para entrar para a política. Suéllen Rosim é essa mulher forte. Jovem, negra e conservadora, ela foi eleita prefeita de Bauru, no interior de São Paulo, com 89.725 votos e assumiu a prefeitura em meio à pandemia de Covid-19.

Chamada de guerreira pela ministra Damares Alves, Suéllen foi vítima de crime de ódio e preconceito. Após a eleição, ela sofreu ataques nas redes por conta de suas posições políticas e religiosas.

Ataques ela ainda recebe, seja por parte da imprensa que critica suas ações no combate à pandemia, seja por parte de políticos que a chamam de negacionista. Ao que ela rebate: “Eu não sou negacionista, sou realista. Apenas peço equilíbrio entre saúde e economia”.

Suéllen com a ministra Damares Alves Foto: Divulgação

Suéllen, você tem 32 anos e um cargo de muita importância. Como você encara essa responsabilidade?
Eu entendo como uma grande missão. Eu poderia estar em outro lugar, servindo de uma forma diferente. Mas é um chamado eu estar agora na política.

Você tinha uma carreira como jornalista, era apresentadora em uma afiliada da Globo. Como surgiu o desejo de mudar de carreira para a política?
Chegou um momento em que o jornal se encerrava, e a minha tarefa também. Na política, a cadeira nunca fica vazia. Eu quis ir além da reportagem.
Suellén quando trabalhava na TV Tem, afiliada da Globo Foto: Reprodução

Quando você foi eleita, passou por um episódio de preconceito. Ao longo da sua vida, você passou por outras situações de preconceito?
Sim, por ser mulher, negra e cristã. Mas o que as pessoas pensam ao meu respeito nunca me parou. Aprendi que, quando você sabe quem você é, não vai querer ser outra pessoa. As pessoas me imaginam. Deus sabe quem eu sou. Então, o preconceito nunca me parou, nunca vai ser uma barreira para mim.

Você é cristã. Acredito que tenha nascido em um lar cristão. O que significa a religião na sua vida?
Sim, nasci em um lar cristão. Sou filha de pastores. Isso é um presente de Deus para mim. A religião cristã é minha base. Deus é tudo, a minha maior referência!

Como tem sido a sua rotina?
Intensa e desafiadora. Tenho trabalhado muito e em um momento muito difícil. Mas tinha que ser assim. Sou uma das primeiras a chegar e última a sair. Decidi me doar nesse tempo à minha cidade. Encaro como uma missão de Deus!

O que você gostaria de fazer e não consegue por falta de tempo?
Estar com a família. Tem sido um desafio administrar a agenda. Mas Deus e minha família são prioridades. Então a gente dá um jeito de fazer tudo, a gente faz o tempo.

Ainda mora com os seus pais? Conversam muito sobre política?
Sou solteira e brinco que, quando vou casar, Deus me chama para uma missão. A política é uma delas. Moro com meus pais, e [isso] é bom demais. Deus tem um tempo para tudo. A política sempre foi um assunto na mesa de casa, assunto sério. Eles me ensinam e são a minha inspiração.

Suéllen com a família Foto: Reprodução

Em quem você se inspira?
Deus é minha fonte de sabedoria, e meus pais são a minha referência.

Você tem mulheres como referência?
Sim, muitas! Mãe, irmã e amigas são referência nessa geração. Muitas mulheres da Bíblia me inspiram até hoje: Ester, Rute…

A grande imprensa e alguns políticos (como o governador João Doria e a deputada federal Joice Hasselmann) têm criticado suas iniciativas no combate à covid-19. O que você tem como resposta para eles?
Falam sem me conhecer, com base no que uma parte da mídia diz. Lamento, mas não me intimido.

Na sua época de jornalista em uma afiliada da Globo, você se sentia incomodada com alguns posicionamentos políticos que precisava seguir?
Eu sempre fui justa e coerente. Nas minhas reportagens, a verdade sempre prevaleceu. Mas, hoje em dia, alguns veículos trabalham com uma única verdade, a que favorece quem convém.

Como você avalia o trabalho do governador João Doria?
No início da pandemia, o Estado de São Paulo respondeu rápido à pandemia. Mas hoje lamento que o foco tenha se perdido. Ele está em 2022, e Bauru precisa dele em 2021.

Como foi a sua carreira como cantora gospel?
Eu não considero uma carreira. A música para mim é adoração. Ela faz parte da minha vida desde a infância e vai fazer até enquanto eu tiver vida. Eu canto por amor. Tenho cinco CDs gravados com minha irmã Taynara Rosim e temos mais projetos pela frente, mas o foco não é a carreira nem a cantora, mas servir em louvor!

Suellén cantando na igreja Foto: Jonas Rodrigues

Onde você se vê daqui 10 anos? Sonha em ser presidente?
Eu quero deixar um legado. Fazer valer a minha missão. Não faço planos!

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