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Antes de demissão, ex-ministro tentou reconciliação com Ramos

Marcelo Álvaro Antônio pediu desculpas e reconheceu que agiu "erroneamente"

Pleno.News - 10/12/2020 15h24 | atualizado em 10/12/2020 15h32

Ex-ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio se desculpou com ministro Ramos Foto: Divulgação/Palácio do Planalto

No mesmo grupo de WhatsApp de ministros em que havia feito duras críticas ao general Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, o agora ex-ministro Marcelo Álvaro Antônio ainda tentou uma reconciliação com o colega antes de ser demitido pelo presidente Jair Bolsonaro. Em uma nova mensagem, ele se desculpou por ter tomado “uma iniciativa inadequada após ouvir algumas conversas” de que Ramos estaria negociando seu cargo com o Centrão para tentar influenciar na eleição da Câmara.

– Como disse o próprio Ministro Ramos a (sic) pouco e pessoalmente comigo, a forma mais adequada seria procurá-lo e relatar o ocorrido. Mas creio que todos nós em algum momento da vida agimos erroneamente, foi o meu caso. Ministro Ramos, sei que o Sr. é um homem honrado. Mais uma vez peço que me perdoe pelo ato injusto e impensado da minha parte. Um abraço fraterno! – escreveu Álvaro Antônio.

Ramos não aceitou o pedido de desculpas. Na mensagem anterior, Álvaro Antônio acusou o colega de ser incapaz na articulação política e de desleal.

– Ministro Ramos, o Sr é exemplo de tudo que não quero me tornar na vida, quero chegar ao fim da minha jornada EXATAMENTE como meus pais me ensinaram, LEAL aos meus companheiros e não um traíra como o senhor – disse o então ministro do Turismo, na mensagem que lhe custou o cargo.

A mensagem foi enviada na terça-feira (8). Ramos se irritou e mostrou para o presidente, pedindo a demissão de Álvaro Antônio, segundo relatos ao Estadão. Em seguida, o conteúdo da carta foi divulgado pela coluna Radar, da Veja. Bolsonaro, então, decidiu demiti-lo e nomear Gilson Machado, presidente da Embratur e amigo pessoal, para o cargo.

O Palácio do Planalto passou toda a tarde de quarta-feira (9) sem se manifestar sobre a troca no Ministério do Turismo. Mesmo sem anúncio oficial, Machado passou a ser cumprimentado nas redes sociais, inclusive pelo filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e pelo secretário de Cultura, Mário Frias, que é subordinado à pasta. À noite, ao chegar ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro confirmou aos apoiadores a troca, mas sem detalhes.

– O Gilson é um cara muito competente nessa área. O outro está fazendo um bom trabalho também, mas deu problema – disse o presidente.

A mudança no Turismo foi oficializada no Diário Oficial desta quinta-feira (10). Além da exoneração de Álvaro Antônio e da nomeação de Gilson Machado, a publicação confirmou Carlos Alberto de Gomes Brito como novo diretor-presidente da Embratur. Próximo de Machado, Brito já atuava na agência de promoção do turismo como diretor de Gestão Corporativo.

Ao anunciar que Álvaro Antônio estava fora do governo, o presidente, em uma conversa tensa, disse que ele havia errado e que não toleraria mais a atitude. Demitido, o ministro voltou a reiterar que Ramos é o causador das crises no governo, mas disse que não deixaria o governo “atirando” e se manteria como apoiador.

Nesta quinta-feira, após a confirmação da exoneração do Diário Oficial, o ex-ministro usou o Twitter para se despedir e chamou o presidente Bolsonaro de “meu amigo e irmão.” Em outra postagem, o ex-ministro publicou um vídeo de sua despedida em um restaurante com servidores da pasta.

Nos bastidores do Planalto, a avaliação é que Álvaro Antônio fez um erro de cálculo ao partir para o confronto com Ramos. O chefe da Segov já foi chamado de “Maria Fofoca” pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que já o confrontou outras vezes publicamente. Poupado no cargo mesmo após investigação sob suspeita de desviar recursos de campanha por meio de candidaturas de mulheres nas eleições de 2018, Álvaro Antônio não teve a mesma força de Salles.

No dia seguinte à demissão, a avaliação interna é que Ramos, embora criticado por seus pares, voltou a demonstrar força junto ao presidente. Entretanto, ainda não é suficiente para dar como descartada a ida dele para Secretaria-Geral da Presidência no lugar do ministro Jorge Oliveira, que deixa o governo em 31 de dezembro para assumir uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). A saída da articulação política é apontada como uma perda de poder.

*Estadão

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