Aliado de Lula comprou R$ 4,7 milhões em imóveis na planta
Análise revela "descompasso" entre os gastos e os rendimentos mensais do cargo no executivo
Pleno.News - 22/03/2026 16h07 | atualizado em 23/03/2026 17h09

Suspeito de operar um amplo esquema de lavagem de dinheiro e movimentar valores milionários com “características atípicas” na avaliação do Ministério Público, o vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), comprou R$ 4,7 milhões em imóveis na planta desde janeiro de 2022.
A atividade imobiliária do petista revela, na visão da Procuradoria, “existência de patrimônio imobiliário significativamente elevado e em descompasso com os rendimentos mensais” do cargo no Executivo.
O Estadão pediu manifestação de Felipe Camarão, alvo de um pedido de afastamento imediato apresentado pelo Ministério Público e encaminhado ao Tribunal de Justiça do Estado.
– O que está em curso não é uma investigação legítima, mas vazamento direcionado com objetivo eleitoreiro, à margem da legalidade – afirmou o petista, em suas redes sociais.
O procurador-geral de Justiça do Maranhão, Danilo José de Castro Ferreira, que subscreve a investigação, aponta que “não foram identificadas nas declarações de ajuste anual do Imposto de Renda Pessoa Física de Felipe Camarão referências aos imóveis na planta, o que traduz evidente desconformidade entre o patrimônio em constituição e a escrituração fiscal apresentada”.
– O aspecto mais sensível, contudo, emerge do cotejo desses pagamentos com os dados obtidos no afastamento do sigilo fiscal de Felipe Camarão. Consta das informações da DIMOB (Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias) a celebração de contratos de aquisição de imóveis na planta que, somados, alcançam R$ 4.777.130,99 – detalha a investigação.
Felipe Camarão é muito ligado ao presidente Lula e ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Procurador federal de carreira da Advocacia-Geral da União, o petista é apontado como “herdeiro político” de Dino.
Ele foi secretário de Educação, Cultura e Governo nos dois mandatos de Dino como governador do Maranhão.
Camarão é o único vice da legenda no país e é pré-candidato à sucessão do atual governador, Carlos Brandão, que deve tentar uma cadeira no Senado em outubro.
Após o vazamento da investigação, Camarão recebeu nas redes sociais apoio e solidariedade de aliados e amigos. O governador Brandão não fez nenhuma declaração sobre o ocorrido.
A quebra de sigilo bancário do vice-governador revelou 19 transações financeiras para empreendimentos imobiliários, no valor de R$ 503 mil.
– As pessoas jurídicas destinatárias são Sociedades de Propósito Específico (SPEs), estrutura usualmente empregada no setor imobiliário para a administração de empreendimentos determinados e que, no contexto dos autos, sugere vinculação com projetos situados na região da Península, em São Luís (MA) – explica o procurador.
– Registre-se, ademais, que a DIMOB não aponta contrato em nome de FELIPE COSTA CAMARÃO relacionado ao empreendimento SPE DOM RICARDO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., apesar da existência de pagamentos vinculados a tal pessoa jurídica no fluxo bancário examinado – narra a investigação.
MANIFESTAÇÃO DO VICE-GOVERNADOR
A assessoria de comunicação do vice-governador Felipe Camarão entrou em contato com o Pleno.News, segue a nota de manifestação:
Como vice-governador e pré-candidato ao Governo, tenho sido alvo de uma campanha jurídico-midiática, utilizando a estrutura institucional do Estado do Maranhão, desde o momento em que o governador Carlos Brandão decidiu dar andamento a seu projeto de poder familiar. São inúmeras acusações infundadas, monitoramento ilegal da minha vida particular, da minha família e calúnias de toda sorte.
Tomei conhecimento exclusivamente pela mídia sobre acusações movidas pelo chefe do Ministério Público do Estado do Maranhão contra mim. Trata-se de uma peça criada para beneficiar as intenções eleitorais do senhor governador Carlos Brandão que, de forma irresponsável, manipula as instituições do Estado do Maranhão para atingir seus adversários.
O esdrúxulo pedido de afastamento do cargo, a pedido exclusivo do senhor Danilo de Castro, procurador-geral de Justiça do Maranhão indicado pelo senhor Carlos Brandão e seu amigo próximo, às vésperas da eleição, tem timing perfeito para tentar garantir ao senhor Carlos Brandão uma candidatura ao Senado ao lado de seu sobrinho, Orleans Brandão.
Em uma breve análise feita a partir do documento vazado de forma ilegal, verifiquei que todas as acusações são infundadas e irresponsáveis, baseadas em ilações, sem nexo causal entre os fatos narrados. A peça tem origem em prova ilegal, é frágil e inconsistente, e se baseia no monitoramento de fluxo financeiro totalmente legal e declarado, inclusive no Imposto de Renda.
Além disto, a peça carece de qualquer aprofundamento quanto à origem – totalmente legal – dos investimentos realizados por mim e minha família, sem qualquer acurácia na investigação. Uma peça elaborada apenas para criar instabilidade institucional no Estado do Maranhão e usar a Procuradoria Geral de Justiça como órgão de perseguição política.
Ressalto ainda que em nenhum momento fui citado, intimado ou obtive direito a me manifestar neste processo. Tenho a convicção de que, com todas as provas reunidas e seguindo o devido processo legal, toda essa farsa será desmontada perante o Poder Judiciário.
Por estes motivos, nesta segunda-feira, dei entrada, no Tribunal de Justiça do Maranhão, em um pedido de apuração de responsabilidade sobre o vazamento de processo sigiloso e, ainda esta semana, levarei o caso ao Conselho Nacional do Ministério Público para averiguar as responsabilidades da Procuradoria Geral de Justiça do Maranhão, neste caso que envergonha as nossas instituições.
Felipe Camarão
Vice-governador do estado do Maranhão.
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