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Aécio Neves: “Cometi um erro, mas não cometi crime”

STF irá julgar denúncia contra o senador nesta terça-feira

Henrique Gimenes - 16/04/2018 20h39 | atualizado em 16/04/2018 21h51

Em coletiva, senador Aécio Neves diz que não cometeu nenhum crime Foto: AGPT/Lula Marques

Às vésperas do julgamento de sua denúncia pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Aécio Neves deu, nesta segunda-feira (16), uma entrevista coletiva para falar do caso. O parlamentar afirmou que cometeu “um erro”, mas não crime e afirmou ter sido vítima de um “enredo pré-determinado por um cidadão que recebeu benefícios”.

Na denúncia, apresentada ainda na gestão do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o senador Aécio Neves é acusado dos crimes de corrupção passiva e tentativa de obstrução de Justiça. O episódio em questão trata do diálogo do parlamentar com o empresário Joesley Batista, em que teria solicitado R$ 2 milhões. Na entrevista, ele admitiu que cometeu um erro, mas que não fez nada de ilegal.

– Num momento de dificuldade cometi esse erro. Mas não cometi qualquer crime, qualquer ilegalidade. Não existe dinheiro público envolvido, ninguém foi lesado, a não ser eu e minha família com as consequências que vocês conhecem. Ali, sim, havia um enredo preparado, pré-determinado, conduzido por esse cidadão que recebe depois os benefícios que assombraram todo o país – ressaltou.

O julgamento de Aécio foi marcado para esta terça-feira (17) pelo Marco Aurélio Mello, do STF. São réus ainda a irmã do senador, Andrea Neves, Frederico Pacheco, primo dele, e Mendherson Souza Lima, ex-assessor parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).

Aécio Neves considera que os episódios não foram investigados direito, o que teria feito as denúncias desmancharem como um “castelo de cartas”.

– A ânsia de punir impediu que aquilo que é normal, tradicional no nosso sistema jurídico, que é o inquérito, a investigação, antes da aceitação da denúncia, viesse a ocorrer. Se essas questões tivessem sido investigadas, muitas das questões que eu estou dizendo aqui teria sido comprovadas pelo próprios agentes do Estado, pelas autoridades – apontou.

A defesa de Aécio Neves também divulgou uma nota em que pede acesso às provas da denúncia ao STF. A intenção seria a de garantir a ilegalidade delas.

Veja a nota completa do senador:

A defesa do senador Aécio Neves formulou reiterados pedidos desde que a denúncia foi oferecida, requerendo acesso às provas já produzidas em torno das investigações sobre as irregularidades da delação da JBS.

Considerando que se trata de direito constitucionalmente previsto, é imprescindível que o acesso seja deferido antes da votação do recebimento da denúncia, uma vez que esses elementos podem comprovar a ilegalidade de provas e das armadilhas arquitetadas contra o senador com a participação de membros do MPF.

O STF já garantiu que Joesley Batista e Marcelo Miller tenham acesso a vários documentos, não sendo razoável que se aja de forma diversa com o senador.

As graves irregularidades que envolvem a delação da JBS, que levaram ao pedido de rescisão do acordo pela PGR – pedido que aguarda há sete meses para ser pautado – justificam toda a cautela com as provas daí oriundas.

O amplo direito de defesa é garantia dada pela Constituição a todos os brasileiros.

Alberto Zacharias Toron

Advogado

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