Advogado de Vorcaro deixa defesa após rejeição de delação
José Luis Oliveira Lima, o Juca, tinha assumido defesa do banqueiro há apenas dois meses
Paulo Moura - 22/05/2026 14h11 | atualizado em 22/05/2026 19h17

O advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, deixou a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em meio ao impasse envolvendo a tentativa de acordo de delação premiada no âmbito da Operação Compliance Zero.
A mudança ocorre poucos dias após a Polícia Federal rejeitar formalmente a proposta de colaboração apresentada por Vorcaro. Embora a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda mantenha as negociações abertas, a avaliação é de que um eventual acordo homologado pela gestão do procurador-geral Paulo Gonet enfrentaria forte resistência no Supremo Tribunal Federal (STF).
José Luis Oliveira Lima havia assumido a defesa do banqueiro em março deste ano, após a segunda prisão de Vorcaro. A troca de advogados naquele momento foi vista como um movimento para abrir caminho a uma colaboração premiada. Especialista em acordos do tipo, Juca participou de negociações de grande repercussão nacional, entre elas a delação do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, na Operação Lava Jato.
De acordo com o blog da jornalista Andréia Sadi, do Grupo Globo, Vorcaro estaria enfrentando forte desgaste emocional após meses de prisão e já não suportaria a pressão do encarceramento. Interlocutores afirmam que, depois de uma fase inicial marcada pela tentativa de blindar aliados, ele estaria disposto a ampliar o alcance de uma eventual colaboração com as autoridades.
Vorcaro é investigado por suspeitas de fraudes financeiras, corrupção, organização criminosa e uso de estrutura paralela para monitoramento e ataque a adversários. A PF afirma que análises preliminares de celulares apreendidos com o banqueiro indicaram a existência de um esquema que ultrapassaria crimes financeiros e envolveria acesso ilegal a informações sigilosas e uma espécie de milícia privada.
Atualmente, o dono do Banco Master está preso sob custódia da Polícia Federal (PF), em Brasília. Recentemente, ele foi transferido de uma sala de Estado-Maior para uma cela comum na Superintendência da PF, após autorização do ministro André Mendonça, relator do caso. A defesa chegou a pedir transferência dele ao 19° Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, mas o pedido ainda não foi apreciado.
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