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Acusado de assédio sexual, Pedro Guimarães deixa a Caixa

Ele divulgou uma carta definindo o episódio como "uma situação cruel, injusta, desigual e que será corrigida na hora certa com a força da verdade"

Paulo Moura e Henrique Gimenes - 29/06/2022 17h57 | atualizado em 29/06/2022 18h31

Presidente da Caixa, Pedro Guimarães Foto: Alan Santos/PR

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, deixou o cargo nesta quarta-feira (29) em meio a acusações de que teria cometido assédio sexual contra funcionárias do banco. Ele divulgou uma carta negando ter cometido qualquer crime e chamou o episódio de “uma situação cruel, injusta, desigual e que será corrigida na hora certa com a força da verdade”.

Ao anunciar seu pedido de demissão do cargo, Guimarães disse ter “plena certeza de que estas acusações não se sustentarão ao passar por uma avaliação técnica e isenta”. Ele deixou claro que não pode “prejudicar a instituição ou o governo sendo um alvo para o rancor político em um ano eleitoral”.

Após falar sobre seu trabalho no comando da Caixa, disse que irá se juntar à sua família para se “defender das perversidades” e que está “com o coração tranquilo daqueles que não temem o que não fizeram”.

De acordo com o site Metrópoles, o Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação, que está sob sigilo, para apurar as denúncias feitas contra Guimarães.

Segundo a publicação, cinco mulheres relataram as abordagens inapropriadas do agora ex-presidente do banco. Em um dos relatos, uma funcionária diz que Guimarães teria passado a mão em suas nádegas. Além disso, colaboradoras chegaram a relatar que o ex-gestor teria feito comentários constrangedores em diversas situações.

Em nota divulgada mais cedo, a Caixa informou que não tinha conhecimento sobre as denúncias de assédio sexual contra Guimarães e que tem protocolos de prevenção contra casos de qualquer tipo de prática indevida por seus funcionários.

– A Caixa não tem conhecimento das denúncias apresentadas pelo veículo. A Caixa esclarece que adota medidas de eliminação de condutas relacionadas a qualquer tipo de assédio. O banco possui um sólido sistema de integridade, ancorado na observância dos diversos protocolos de prevenção, ao Código de Ética e ao de Conduta, que vedam a prática de “qualquer tipo de assédio” – relatou.

O pedido de demissão foi entregue por Pedro Guimarães ao presidente Jair Bolsonaro.

Leia a íntegra da carta de Pedro Guimarães:

À população brasileira e, em especial, aos colaboradores e clientes da Caixa:

A partir de uma avalanche de notícias e informações equivocadas, minha esposa, meus dois filhos, meu casamento de 18 anos e eu fomos atingidos por diversas acusações feitas antes que se possa contrapor um mínimo de argumentos de defesa. É uma situação cruel, injusta, desigual e que será corrigida na hora certa com a força da verdade.

Foi indicada a existência de um inquérito sigiloso instaurado no Ministério Público Federal, objetivando apurar denúncias de casos de assédio sexual, no qual eu seria supostamente investigado. Diante do conteúdo das acusações pessoais, graves e que atingem diretamente a minha imagem, além da de minha família, venho a público me manifestar.

Ao longo dos últimos anos, desde a assunção da presidência da Caixa, tenho me dedicado ao desenvolvimento de um trabalho de gestão que prima pela garantia da igualdade de gêneros, tendo como um de seus principais pilares o reconhecimento da relevância da liderança feminina em todos os níveis da empresa, buscando o desenvolvimento de relações respeitosas no ambiente de trabalho e por meio de meritocracia.

Como resultados diretos, além das muitas premiações recebidas, a Caixa foi certificada na 6ª edição do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, além também de ter recebido o selo de Melhor Empresa para Trabalhar em 2021 – Great Place To Work, por exigir de seus agentes e colaboradores, em todos os níveis, a observância dos pilares Credibilidade, Respeito, Imparcialidade e Orgulho.

Essas são apenas algumas das importantes conquistas realizadas nesse trabalho, sempre pautado pela visão do respeito, da igualdade, da regularidade e da meritocracia, buscando oferecer o melhor resultado para a sociedade brasileira em todas as nossas atividades.

Na atuação como presidente da Caixa, sempre me empenhei no combate a toda forma de assédio, repelindo toda e qualquer forma de violência, em quaisquer de suas possíveis configurações. A ascensão profissional sempre decorre, em minha forma de ver, da capacidade e do merecimento, e nunca como qualquer possibilidade de troca de favores ou de pagamento por qualquer vantagem que possa ser oferecida.

As acusações noticiadas não são verdadeiras! Repito: as acusações não são verdadeiras e não refletem minha postura profissional e pessoal. Tenho a plena certeza de que estas acusações não se sustentarão ao passar por uma avaliação técnica e isenta.

Todavia, não posso prejudicar a instituição ou o governo sendo um alvo para o rancor político em um ano eleitoral. Se foi o propósito de colaborar que me fez aceitar o honroso desafio de presidir com integridade absoluta a Caixa, é com o mesmo propósito de colaboração que tenho de me afastar neste momento para não esmorecer o acervo de realizações que não pertence a mim pessoalmente, pertence a toda a equipe que valorosamente pertence à Caixa e também ao apoio de todos as horas que sempre recebi do senhor presidente da República, Jair Bolsonaro.

Junto-me à minha família para me defender das perversidades lançadas contra mim, com o coração tranquilo daqueles que não temem o que não fizeram.

Por fim, registro a minha confiança de que a verdade prevalecerá.

Pedro Guimarães

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