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38% dos ativistas anti-Bolsonaro se recusam a protestar com PT

Pesquisa da USP indica grande resistência ao partido

Pleno.News - 14/09/2021 13h54 | atualizado em 14/09/2021 14h22

Protesto contra o governo Bolsonaro na Av. Paulista Foto: EFE / Fernando Bizerra

Embora o Movimento Brasil Livre (MBL), o Vem Pra Rua e o Livres tenham sinalizado baixar o tom das críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para atrair adesões da esquerda e do PT às manifestações pelo impeachment de Bolsonaro do último domingo (12), o mote “nem Lula, nem Bolsonaro” seguiu em destaque na maioria das manifestações.

De acordo com uma pesquisa do Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP, realizado durante o ato na Paulista, 85% dos manifestantes são favoráveis à criação de uma frente ampla contra Bolsonaro, mas 38% dos entrevistados disseram que não iriam para rua junto com o PT. De todo o público ouvido, 37% dos manifestantes disseram ser de esquerda ou de centro-esquerda e 34%, de direita ou de centro-direita.

A divisão entre os partidos e movimentos de oposição ao governo levou a protestos esvaziados. O levantamento foi coordenado pelos professores da Universidade de São Paulo Pablo Ortellado e Márcio Moretto. Foram entrevistados 841 manifestantes, entre 13h e 17h30. A margem de erro é de 4 pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Na avaliação de Ortellado, a pesquisa revela um “paradoxo” que só poderá ser resolvido com a superação de “ressentimentos” entre petistas e segmentos da direita, como o discurso propagado pela esquerda de que Lula foi preso “injustamente”. Na avaliação do professor, o PT é “um partido hegemônico na esquerda; sem ele, nenhuma proposta de frente ampla é suficientemente ampla”.

– Embora a pesquisa tenha constatado esse nó na direita, ele também está acontecendo do lado da esquerda, que tem a mesma dificuldade de ir pra rua com “lavajatistas” – afirmou.

Apesar de contar com a participação de cinco potenciais candidatos à Presidência em 2022, a corrida eleitoral esteve no pano de fundo da manifestação na Paulista.

ELEIÇÕES 2022
A pesquisa também questionou os eleitores sobre a intenção de voto para a eleição de 2022.

O pedetista Ciro Gomes, um dos presentes na Avenida Paulista, foi o mais citado pelos manifestantes (16%), seguido pelo ex-presidente Lula (14%) e pelo ex-juiz Sérgio Moro (11%). Na sequência, João Amoedo (Novo) e João Doria (PSDB), ambos presentes no ato em São Paulo, têm 8% e 7%, respectivamente. Outros 31% afirmaram não saber em quem votar.

Pesquisas nacionais de intenção de voto têm apontado que, se a eleição fosse hoje, Lula e Bolsonaro chegariam ao segundo turno. Nesse cenário, 54% dos manifestantes disseram que votariam em Lula, enquanto 40% afirmaram que anulariam ou votariam em branco. Uma taxa percentual próxima à que afirma não aceitar ir às ruas ao lado do PT.

PERFIL DOS MANIFESTANTES
Nos atos de 7 de setembro, os pesquisadores também foram às ruas para traçar o perfil dos manifestantes. Em comparação com os atos do dia 12, os resultados mostram que o público que esteve na Avenida Paulista para se posicionar contra Bolsonaro é mais jovem, mais escolarizado, com maior renda e mais branco do que os apoiadores de Bolsonaro.

Entre os manifestantes de 12 de setembro, 69% tinham até 44 anos; 79% tinham ensino superior (completo ou incompleto); e 56% tinham renda familiar acima de cinco salários mínimos. A maior parte dos entrevistados, 67%, declarou-se branca. Autodeclarados negros somaram 29%.

Entre os manifestantes bolsonaristas, a maioria, 53%, tinham mais de 45 anos; 43% tinham renda familiar maior que cinco salários mínimos; e 60% tinham curso superior (completo ou incompleto). Autodeclarados brancos somaram 60% e negros, 33%.

*AE

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