Pedreiro ganha bolsa para cursar Direito após fazer sustentação
Edilson Takahara viralizou nas redes após fazer a defesa de seu processo perante os desembargadores
Paulo Moura - 03/09/2026 08h49 | atualizado em 03/09/2026 12h10

O pedreiro Edilson Takahara, que ganhou repercussão nacional ao fazer a própria sustentação oral diante dos desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), recebeu uma bolsa de estudos para cursar Direito. A oportunidade surgiu após a repercussão de sua trajetória na Justiça do Trabalho, onde ele acompanhou pessoalmente seu processo e apresentou seus próprios argumentos.
Edilson ficou conhecido após defender a própria causa trabalhista diante dos magistrados da Corte Trabalhista. Sem formação jurídica, ele acompanhou o processo desde a primeira instância, recebeu uma sentença favorável e, diante do recurso apresentado pela empresa, precisou estudar para elaborar sua manifestação e apresentar um recurso.
Para conseguir acompanhar o processo, o pedreiro também precisou aprender a utilizar ferramentas do Processo Judicial Eletrônico (PJe), lidar com certificado digital e compreender procedimentos que fazem parte da rotina do Judiciário.
A possibilidade de atuar pessoalmente na Justiça do Trabalho está prevista no artigo 791 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por meio do chamado jus postulandi. O mecanismo permite que empregados e empregadores atuem sem advogado em determinadas etapas do processo trabalhista.
A experiência, porém, mostrou a Edilson as complexidades de quem precisa lidar diretamente com o sistema de Justiça sem ter formação na área. Ele contou que precisou pesquisar legislação, decisões judiciais e conceitos jurídicos para compreender o processo e organizar os argumentos que apresentaria aos desembargadores.
A história, que começou na construção civil e chegou à tribuna de um tribunal, agora deve continuar na universidade. Edilson recebeu uma bolsa para cursar Direito e relatou que pretende aproveitar a oportunidade para aprofundar os conhecimentos que começou a adquirir enquanto acompanhava o próprio processo.
– É um ganho importantíssimo e inesperado. É um presente, porque todo conhecimento que a gente adquire tem utilidade em um momento ou outro. Então é aproveitar mesmo – disse.
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