Palhaços nas ruas promovem doação de sangue

Projeto DADO desperta interesse da população para doação de medula óssea e de sangue

Virgínia Martin - 31/08/2018 14h17

É um trabalho nobre. As ações acontecem nas ruas e nos hospitais. As reações são positivas. E o resultado é sempre o sorriso. Nesta perspectiva funciona a ONG Trupe Miolo Mole, atuando com palhaçaria no ambiente hospitalar. Criada em 2013, por Pablo Tavares, hoje tornou-se também uma escola que forma novos grupos de palhaços.

Um destes grupos é o projeto DADO – doeaquemdoer, organizado com foco na doação de sangue e de medula óssea. Inicialmente pequena, a equipe desenvolve ações como a Intervenção Urbana. Percorrem as ruas, principalmente no entorno do HemoRio, no centro da cidade do Rio de Janeiro, e despertam a população para a importância de doação de sangue e de medula óssea.

Os integrantes se caracterizam de palhaços, ostentam cartazes com a mensagem motivacional, distribuem folhetos informativos e conversam com as pessoas pelas ruas e calçadas. Michelle de Paula é uma das componentes, que diz que um simples nariz de palhaço colocado no rosto pode mudar vidas, e que isso começa a partir dela mesma.

– Nosso objetivo é desmistificar a doação de medula óssea e promover a conscientização sobre a importância de doar sangue. Mas fazer as ações vai muito além disso. É para toda a vida. Porque ajudar pessoas é para toda vida.

O líder de doeaquemdoer é Sergio Luis da Cruz. Assim como o fundador do Miolo Mole, ele acredita que quanto mais palhaços existirem neste mundo, melhor e mais leve ele se torna. Sergio conta que dentro do curso de palhaçaria voltado para humanização hospitalar, oito alunos se reuniram, fizeram uma pesquisa e concluíram que a grande maioria das pessoas não doa sangue por falta de interesse. E assim formaram o projeto direcionado à doação.

– Queremos tornar interessante a doação de sangue, que não acontece apenas em casos de emergência. Sempre que falo sobre doação de sangue, falo de uma situação que pode remeter a mim. Claro que espero nunca precisar de uma transfusão. Mas se acontecer, que eu possa ter acesso ao banco de sangue disponível. É um trabalho preventivo.

O bom exemplo veio de Cristiano dos Santos Mota, de 40 anos, que acabava de vir do HemoRio quando encontrou com a turma de palhaços. Tinha acabado de doar sangue pela 21 vez.

– Nada mais justo. É uma questão de solidariedade, pois as pessoas precisam.

Para o doeaquemdoer, o comprometimento em doar ajuda o outro, mas também ajuda o próprio doador. O grupo ainda se preocupa com o fato de que as pessoas não doam medula por desconhecimento sobre o procedimento. Michelle explica que primeiramente é feito um cadastramento de compatibilidade.

– O procedimento é feito com anestesia local. Mas só é realizado se existir compatibilidade entre quem doa e quem recebe o líquido medular.

O projeto e seus palhaços do bem tem como participantes: Sérgio Cruz, Michelle de Paula, Amanda Oliveira, Cristiana Sousa, Priscilla Camargo, Ivaneise Carvalho, Kátia Nunes e Francisco Carlos. Pelas ruas, eles cumprem sua missão no meio das pessoas e promovem a vida por meio da solidariedade.

Salão de Doadores

Amanda Oliveira, 29 anos, também faz parte do doeaquemdoer. Trabalha no HemoRio e vê diariamente a necessidade de doadores de sangue. Desde 2014, Amanda sabe que é preciso aumentar o fluxo de doação.

– Tem dias em que o salão de doadores fica muito vazio. Algumas vezes, recebemos 280 bolsas de sangue. Em outras, apenas 50. O ideal é recebermos uma média de 350 bolsas.

Cenário de sangue

  • Segundo dados do Ministério da Saúde, atualmente, 1,6% da população brasileira doa sangue. Ou seja, existem 16 doadores para cada grupo de mil habitantes.
  • O Brasil possui 32 hemocentros coordenadores e 2.034 serviços de hemoterapia.
  • Em 2017, 3,3 milhões de pessoas doaram sangue.
  • O procedimento para doação de sangue é simples, rápido e totalmente seguro.
  • Acesse informações em Ministério da Saúde.

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