Leia também:
X Menino de 2 anos morre após engasgar com peça de brinquedo

Manaus: Moradores mandam vídeos com pedidos de ajuda

Tristeza e desespero fazem parte da rotina dos amazonenses entre mortes e falta de cilindros de oxigênio

Virgínia Martin - 29/01/2021 16h54 | atualizado em 29/01/2021 17h35

Hospital lotado em Manaus Foto: Divulgação/Simeam

A caótica situação de Manaus já dura semanas, desde que começaram a faltar os primeiros cilindros de oxigênio em 14 de janeiro deste ano, gerando um colapso no sistema público e privado de saúde da cidade. Ao todo, o estado do Amazonas já registra mais de 7 mil mortes e tem necessitado da ajuda e das doações de organizações e pessoas que entendem a urgência da situação.

Diretamente de Manaus, moradores relatam ao Pleno.News sobre o que estão sofrendo e como têm visto o cenário de desespero pela cidade.

Valdenice Belizario Campos é empresária em Manaus e revela como tem sido difícil encarar a situação de precariedade nos hospitais, com a falta de oxigênio e diante do número de mortos. Ela mesma perdeu muitos amigos e parentes. Na semana passada, Waldenice perdeu duas primas, infectadas pela Covid 19. Ela também reclama da falta de conscientização de muitas pessoas que, mesmo diante da ameaça da doença, não usam máscaras e ainda fazem festas clandestinas.

 

Como se não bastasse os problemas com a falta de cilindros, o prefeito e a secretária de saúde da cidade afirmam que faltam recursos humanos e que há mais de 140 médicos afastados por terem se contaminado com a Covid-19. O Ministério Público, no entanto, investiga 10 possíveis contratações irregulares que seriam usadas para “furar a fila” da vacinação.

– Nós estamos com 148 médicos afastados por conta da doença. Não temos recursos humanos e abrimos uma extensão enorme na Universidade Nilton Lins. Era preciso profissionais para atender… infelizmente no mercado todos os canais, todos os hospitais estavam extremamente lotados. Onde conseguir profissionais? Fizemos um chamamento público; não apareceram. Foi preciso contratar os recém-formados que estavam em busca de emprego e ajudar nesse momento tão difícil. Não tinha escolha”, explicou a secretária de saúde de Manaus, Shádia Fraxe.

Cenário de guerra

Rocinéia Lima é moradora em Manaus e trabalha como assistente social. Ela conta que também é uma sobrevivente da Covid por estar na linha de frente de combate à doença. Com a falta de cilindros, ela viu-se diante dr uma situação desafiadora, já que a própria mãe precisa de cilindro de oxigênio diário por ter apenas 23% de capacidade pulmonar. Rocinéia fala de seu desespero.

 

A mãe de Rocinéia tinha só mais três dias de oxigênio em cilindro para sobreviver. Dona Albanita de Souza Lima, de 71 anos, agradeceu em vídeo depois de conseguir ajuda para continuar respirando.

 

Felipe Moura, outro morador da cidade, chama atenção para um completo desgaste emocional dos profissionais de saúde. Percebe que está ocorrendo uma falência de forças no sistema de saúde pública.

Como jornalista, Moura também lamenta que, além da luta contra o vírus, o Amazonas luta contra a propagação de fakenews que circulam com muita informação enganosa, com o objetivo de provocar pânico na população.

 

Diante da situação de alerta, o governador do Amazonas, Wilson Lima, estendeu o prazo de lockdow para até o dia 7 de fevereiro. O decreto restringe a circulação de pessoas em todo o Amazonas durante as 24 horas do dia. Passou a valer desde o dia 25 deste mês, estendendo-se até o dia 31. No entanto, a grave crise na saúde do estado exigiu a prorrogação desse prazo.

Outra alteração no decreto é que mercados e feiras, autorizados a funcionar de 4h às 10h, passam a funcionar de 4h às 15h, a partir da próxima segunda-feira (1).

Siga-nos nas nossas redes!
WhatsApp
Entre e receba as notícias do dia
Entrar no Grupo
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.