Maioria dos brasileiros aprova internação involuntária

Pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira pelo Datafolha

Pleno.News - 10/07/2019 14h25

Cracolândia em São Paulo Foto: Reprodução

Um mês depois de o presidente Jair Bolsonaro sancionar lei que amplia as possibilidades de internação involuntária de dependentes de drogas, a pesquisa Datafolha mostra que esse tipo de tratamento tem amplo apoio da população.

Oito em cada dez brasileiros acham que dependentes químicos deveriam ser internados mesmo contra a sua vontade para tratar o vício.

Outra pergunta feita pelo Datafolha dá uma ideia da dimensão do problema no país: 27% dos brasileiros afirmam ter um parente próximo envolvido com o consumo de drogas.

O instituto ouviu 2.086 pessoas com mais de 16 anos em 130 municípios, nos dias 4 e 5 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

O apoio à internação involuntária, que é de 83% na população em geral, pouco varia quando se dividem os pesquisados por idade, renda ou escolaridade, permanecendo sempre acima de 70%.

Os grupos com menos percentuais de apoio a essa possibilidade são os mais jovens (74% entre os brasileiros de 16 a 24 anos) e os que têm ensino superior (75%).

A religião também influi pouco no apoio à internação para tratamento contra a vontade do dependente. Católicos, evangélicos e seguidores de religiões afro-brasileiras têm índices de aprovação à medida acima de 80%.

A lei sancionada em junho prevê que dependentes de drogas possam ser acolhidos, sempre de forma voluntária, em comunidades terapêuticas que ofereçam tratamento voltado à abstinência.
Essas comunidades são normalmente instituições de cunho religioso.

Quando se pergunta se o dependente que não tem condições de decidir por si próprio deve ser internado se a família assim o quiser, o apoio é quase unânime: 94% dos ouvidos pelo Datafolha são favoráveis.

Essa taxa de aprovação é a mesma tanto entre os brasileiros que têm familiares envolvidos com drogas quanto entre os que não têm.

O percentual de entrevistados que dizem ter familiares próximos envolvidos com drogas pouco varia quando se leva em conta a escolaridade e a renda. Entre os que têm ensino fundamental, médio e superior, os percentuais são de 28%, 27% e 27%, respectivamente, dentro da margem de erro, portanto.

Quando se analisa a renda, a maior incidência de relatos de familiares envolvidos com drogas é no grupo dos que têm renda familiar de até 2 salários mínimos (29%); e a menor, entre os que têm renda familiar de entre 5 e 10 salários mínimos (21%).

Os dados do Datafolha também mostram que a preferência política tem pouca ligação com o apoio às internações involuntárias.

A taxa de aprovação a essa possibilidade é similar entre quem disse ter votado em Bolsonaro e em Fernando Haddad (PT) nas últimas eleições: 86% e 81%, respectivamente.

A aprovação à internação involuntária a pedido da família nos dois grupos é igual à registrada na população em geral: 94%.

A legislação brasileira faz distinção entre a internação compulsória (determinada pela Justiça) e a involuntária (determinada por um médico, com consentimento da família ou responsável legal).

O texto sancionado em junho prevê que a internação involuntária também poderá ser feita a pedido de servidor da saúde ou assistência social ou de servidor de alguns tipos de órgãos públicos, sempre com autorização de um médico.

*Folhapress

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