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Lucas diz que foi induzido a assumir morte de Anderson

Filho de Flordelis afirma que recebeu carta escrita pela deputada e que a copiou como combinado

Paulo Moura - 12/06/2020 10h18 | atualizado em 12/06/2020 10h19

Lucas dos Santos, filho adotivo de Flordelis Foto: Reprodução

Em um dos depoimentos concedidos por Lucas dos Santos, filho adotivo da deputada federal Flordelis, o réu pela morte do pastor Anderson do Carmo afirmou que foi induzido a assumir a culpa pelo crime. A declaração consta em uma gravação usada como parte do inquérito que investiga o assassinato.

Em cerca de uma hora de depoimento, Lucas, que é acusado de comprar a arma utilizada no homicídio, diz que houve uma trama para tentar incriminá-lo. Como exemplo, ele cita a carta que recebeu, na cadeia, com um modelo de confissão do crime, que teria sido escrita por Flordelis,

A história da carta começou lá dentro do [presídio] Bandeira Stampa, lá. Eles estavam tentando botar na minha conta, igual deu na entrevista aí – diz Lucas na gravação.

A carta a que Lucas se refere, serviria para proteger o filho biológico de Flordelis, Flávio dos Santos, que está preso acusado ser o autor dos tiros que mataram o pastor Anderson.

No depoimento, Lucas diz que recebeu o texto dentro de uma Bíblia e copiou a confissão, como havia sido combinado. Ele diz ainda que guardou a original, que teria sido escrita pela parlamentar. Em troca, Lucas esperava receber a ajuda de Flordelis no processo.

Apesar de ter copiado o documento, a carta nunca chegou ao conhecimento da polícia já que, segundo Lucas, ela teria sido rasgada por um advogado. O filho adotivo da deputada contou ainda que os advogados da mãe e dos irmãos o orientaram a não participar da reconstituição do crime.

O Maurício [advogado] falou que não era para fazer reconstituição nenhuma, se não podia me prejudicar, prejudicar o Flávio, prejudicar minha mãe. Aí chegou no dia, eu fiz a reconstituição – afirma Lucas.

O livro de registros do presídio Bandeira Stampa comprova que Lucas recebeu visitas dos advogados Maurício Eduardo Mayr e Flávio Soares dos Santos, na semana da reconstituição, que aconteceu em setembro de 2019.

O CASO
O pastor Anderson do Carmo foi assassinado na madrugada do dia 16 de junho de 2019, na garagem de casa, em Pendotiba, Niterói (RJ). O laudo mostrou 30 perfurações pelo corpo, a maior parte nas costas, peito e região da virilha. Anderson era casado há 25 anos com Flordelis, pastora e deputada federal pelo Rio de Janeiro. Sempre ao lado da esposa, ele atuava como secretário-geral do PSD no Estado.

Dois filhos da pastora são réus no processo que investiga a morte, Lucas dos Santos e Flávio dos Santos Rodrigues. Flávio assumiu ter efetuado seis tiros. Lucas teria ajudado comprando a arma, mas não estaria em casa no momento dos disparos.

Um terceiro filho teria afirmado, em depoimento, que não ouviu discussão, barulho de carro ou moto em fuga. Que quando chegou na cena do crime encontrou o irmão Flávio próximo ao pai, caído. Ele garantiu ainda que o celular de Anderson, que está sumido, foi entregue a Flordelis.

Ainda em depoimento, o filho disse que o pastor já recebeu uma mensagem com ameaça de morte e uma das irmãs ofereceu R$ 10 mil a Lucas para que cometesse o crime. Flordelis e três filhas já teriam colocado remédios na comida de Anderson, por isso, sua saúde estava debilitada.

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