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Liberdade de imprensa sofre queda no Brasil, aponta órgão

País está localizado perto da "zona vermelha", assim como a Venezuela

Jade Nunes - 18/04/2019 07h51 | atualizado em 18/04/2019 12h13

Brasil está na 105ª colocação Foto: Pixabay

O Brasil, a Venezuela e a Nicarágua foram os países latino-americanos que registraram a maior degradação da liberdade de imprensa em 2018, segundo a classificação anual divulgada nesta quinta-feira (18) pela ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF). A instituição também alerta sobre a situação no México e em Cuba.

Na 105ª colocação, o Brasil está localizado perto da “zona vermelha”, assim como a Venezuela e outros países onde a situação é “difícil” para a imprensa, como Burundi, Iraque e Turquia.

A deterioração do Brasil responde a um ano “particularmente agitado” com o assassinato de quatro jornalistas e a crescente fragilidade dos profissionais independentes que cobrem temas ligados à corrupção ou ao crime organizado.

Sobre a Venezuela, a “deriva autoritária” que entrou o governo de Nicolás Maduro aproxima o país da “zona negra”, onde está o grupo em pior classificação, que tem a Eritreia, Coreia do Norte e Turcomenistão.

No ano de 2018, a repressão da imprensa independente na Venezuela se intensificou com prisões arbitrárias de jornalistas e violência das forças da ordem contra os repórteres.

As emissoras de rádio e televisão mais críticas ao governo tiveram suas licenças de transmissão cassadas, além da imprensa estrangeira sofrendo com prisões, interrogatórios e até expulsões da Venezuela.

Mas o país da América Latina que mais caiu no ranking de classificação foi a Nicarágua, descendo 24 posições, chegando a 114º lugar, em plena “zona vermelha”, por conta de uma “repressão” contra a imprensa independente feita pelo governo de Daniel Ortega.

No contexto do agravamento da crise política no país e do aumento das manifestações contra o governo, a RSF diz que “o jornalismo é constantemente estigmatizado e atacado com campanhas de assédio e ameaças de morte, além de prisões arbitrárias”.

– Durante as manifestações, os repórteres da Nicarágua consideraram que os opositores são frequentemente atacados e muitos deles foram forçados ao exílio para evitar a acusação de terrorismo e prisão – acrescenta.

O relatório também lembra que, pelo 22º ano consecutivo, o pior país para a imprensa na América Latina é Cuba, na 169º posição, apenas 11 colocações atrás do Turcomenistão, último colocado.

A melhoria da cobertura da Internet na ilha, que facilita o trabalho de “blogueiros” e alguns jornalistas independentes, não esconde que o regime, agora comandado por Miguel Díaz-Canel, segue controlando permanentemente a informação e usando a repressão, levando ao exílio as vozes mais críticas.

Na “zona vermelha” também se encontra o México, principal cemitério de jornalistas, dez deles assassinados em 2018, vítimas do crime organizado e de autoridades corruptas.

A autocensura, ligada à intimidação da classe política, cresceu em El Salvador, Honduras e Guatemala, enquanto que a situação está “alarmante” na Bolívia, 113ª da lista, por causa da censura imposta pelo governo de Evo Morales aos veículos de imprensa críticos.

O Chile, entretanto, caiu oito posições devido aos ataques sofridos para a proteção de fontes de jornalistas que trabalham nas reivindicações dos Mapuches ou a corrupção da classe política.

*Com informações da Agência EFE

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