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Justiça autoriza quebra de sigilo de 233 perfis que acusavam Felca

Usuários chamavam o youtuber de pedófilo

Pleno.News - 14/08/2025 17h12 | atualizado em 14/08/2025 19h41

Felca Foto: Reprodução/ Print de vídeo YouTube Felca

A Justiça de São Paulo determinou a quebra do sigilo de 233 perfis da internet que usaram as redes sociais para acusar o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, de pedofilia e assédio. Os xingamentos foram realizados quando Felca fazia suas pesquisas para o vídeo Adultização, publicado em seu canal no YouTube no dia 6 de agosto.

O material, que já acumula mais de 37 milhões de visualizações, expõe casos de influencers que, em troca de monetização das plataformas, praticam a exploração infantil por meio de vídeos que mostram crianças e adolescentes de forma sexualizada, seminuas e ingerindo bebidas alcóolicas em festas. Usuários alegaram que o youtuber seguia as páginas e o acusaram de consumir e endossar esse tipo de conteúdo.

A decisão pela autorização da quebra de sigilo foi assinada na última terça-feira (12), pela juíza Flavia Poyares Miranda. A magistrada entendeu que Felca foi vítima de injúria e que os xingamentos, alguns feitos de forma anônima, ferem o Marco Civil da Internet.

Para isso, a juíza pede ao X (que concentra a maior parte dos perfis processados) e o YouTube que forneçam os dados cadastrais, os IPs de criação das contas, e os logs de acesso para a identificação dos autores das postagens ofensivas. A magistrada determina, também, que os perfis das contas sejam removidos. Caso as ordens não sejam cumpridas, a empresa poderá sofrer uma sanção de R$ 200 por dia, com teto de 30 dias.

Felca afirma ter entrado com um processo contra mais de 200 perfis que usaram as redes digitais para o acusaram de pedofilia e de consumir conteúdo de exploração sexual infantil. Em respostas às acusações, ele explicou que só seguia as páginas como forma de obter material para o seu vídeo de denúncia.

Uma das usuárias, segundo ele, publicou que o youtuber não apenas seguia os perfis, como também endossava os materiais, dando like nas postagens – o que ele nega.

– Isso configura difamação. Eu afirmei que era para um vídeo e ela apagou a sua conta no Twitter [nome antigo para a atual rede X] – disse.

Seu advogado, João de Senzi, publicou no X a lista com o nome de todas as contas processadas. O youtuber sugeriu um acordo: em troca da remoção do processo, as pessoas alvos da ação devem doar R$ 250 para alguma instituição de proteção de infância e combate a exploração infantil recomendada por ele, junto com um pedido de desculpas pelos comentários ditos na internet.

– A única pessoa que ganha quando a palavra “pedofilia” é vulgarizada é o próprio pedófilo – disse o youtuber ao justificar a motivação por judicializar o caso.

De acordo com o advogado de Felca, mais de 80 pessoas fizeram as doações e se retrataram.

*AE

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