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Jovem Pan terá que indenizar ativista pró-linguagem neutra

Juiz condenou a emissora a pagar R$ 40 mil por danos morais

Pierre Borges - 05/08/2021 12h53 | atualizado em 05/08/2021 13h04

Vídeo da militante foi exibido em dois programas da emissora Foto: Divulgação

A Jovem Pan foi condenada a indenizar uma ativista pró-linguagem neutra em R$ 40 mil, por danos morais. O juiz André Augusto Salvador Bezerra, da 42ª Vara Cível de São Paulo, entendeu que, ao comentar um vídeo da ativista em dois programas da emissora, os apresentadores “extrapolaram a liberdade de expressão e expuseram a ativista ao ridículo”.

A ganhadora da causa é Rosa Laura, que se identifica como uma pessoa transgênero não binária, ou seja, não se reconhece nem como homem, nem como mulher. No vídeo exibido pela emissora, ela defende a adaptação de palavras demarcadoras de gênero à linguagem neutra.

– Ela e ele vai ficar “ile”. Dela e dele vai virar “dile”. Aquela e aquele vai virar “aquile”. Nela e nele vai virar “nile”. Essa e esse vai virar “isse”. Desta e deste vai virar “diste”. Sua e seu, “sue”. […] Um exemplo: “eles são amigos”. Como vai ficar isso se eu for colocar no neutro? “Iles são amigues” – argumenta a ativista, que também defende que a língua portuguesa tem sido usada de forma “extremamente sexista”.

O vídeo foi exibido nos programas Pânico e Morning Show em setembro de 2020, e os apresentadores ironizaram a linguagem neutra. A ativista entrou com a ação poucas horas depois argumentando que a emissora quis “humilhar e tratar de forma jocosa uma luta diária da comunidade não binária”.

Mesmo com a Jovem Pan alegando que os comentários foram feitos de forma respeitosa e que estavam dentro dos limites do direito de crítica, o juiz condenou a emissora por danos morais. A decisão é passível de recurso.

A linguagem neutra tem sido criticada por especialistas, como o doutor Pablo Jamilk. Conforme ele declarou em entrevista ao Pleno.News, a adoção da linguagem neutra traria “inúmeros problemas”.

– Se disser que se deve criar um novo artigo (“e”, por exemplo) para dizer “e menine”, passaremos por um grave problema de programação da estrutura da nossa língua, uma vez que os artigos são categorias de “inventário fechado”, ou seja, que não são criadas ou alteradas – defendeu o professor.

Confira a entrevista completa sobre linguagem neutra com o doutor em Letras clicando aqui.

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