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Injustamente, jovem indígena é exposta como falsa cotista

Larissa Sá chegou a ter matrícula negada mesmo apresentando os documentos comprobatórios

Paulo Moura - 05/06/2020 14h05 | atualizado em 05/06/2020 14h07

Larissa Sá se defendeu das acusações de que era falsa cotista Foto: Reprodução

Imagine acordar e descobrir que você está sendo acusado injustamente por milhares de pessoas por uma infração que não cometeu. Pois é, isso aconteceu com a jovem Larissa Sá, de 19 anos, acusada por diversos perfis nas redes sociais de fraudar a cota de indígenas para ingressar no curso de Medicina na Universidade Federal do Maranhão.

De origem indígena do povo Atikum-Umã, da região de Carnaubeira da Penha, em Pernambuco, Larissa disse que acordou na manhã de quinta-feira (4) sendo bombardeada com diversas acusações e xingamentos depois que páginas a classificaram como uma fraudadora de cotas.

– Ontem coloquei uma caixinha de perguntas no Instagram, quando acordei tinham várias pessoas xingando, na hora fiquei muito mal, não conseguia falar nada, achei que estava sozinha – disse ela, em entrevista para a revista Vogue.

Ao ser questionada por uma das usuárias se possuía os documentos que comprovavam que ela era indígena, Larissa rebateu e perguntou se indígena não podia pintar o cabelo.

– Se eu tenho a certidão? Minha filha, você acha que eu provei a faculdade como? É lógico! Eu tenho aldeia, eu tenho foto, eu tenho vídeo, eu tenho documentos, eu estou na Funai! Eu não posso pintar cabelo não, é? – afirmou indignada.

A jovem contou que foi aprovada para a vaga no primeiro semestre, mas que acabou perdendo a matrícula após uma desconfiança da universidade, mesmo com Larissa levando todos os documentos comprobatórios.

– Passei no vestibular, fui fazer a entrevista e não me deram o resultado. Alguns dias depois saiu a lista de espera e tinha uma pessoa na minha vaga. Liguei para a faculdade para entender o que estava acontecendo, queria acreditar que tinha sido aberta outra vaga. A mulher disse que tinha sido indeferida a minha matrícula porque a banca avaliadora, que não tinha nenhum indígena, chegou a conclusão que eu não era indígena. Minha família ficou destruída – relatou.

Larissa contou que então tentou novamente a vaga no segundo semestre e, dessa vez, conseguiu ter a matrícula aprovada. Apesar disso, ela contou que ficou com o medo de falar sobre o assunto e ser julgada.

– Passei muito tempo calada desde que a minha matrícula foi deferida da segunda vez. Fiquei com muito medo, tentava negar porque sabia que qualquer coisa que postasse, eu seria muito julgada. Por muito tempo fiquei com muito medo de falar sobre isso, mas agora vejo que eu tenho mais é que falar mesmo – apontou.

Página pediu desculpas após fazer falsa acusação contra indígena Foto: Reprodução

A página que divulgou a notícia falsa sobre a jovem pediu desculpas sobre o fato e disse que vai investigar o caso para que os erros não se repitam.

– Larissa de Sá entrou em contato conosco e comprovou realmente ser indígena. A família dela e o cacique inclusive entraram com ação judicial contra a instituição que duvidou, mesmo eles mostrando documentos verídicos da sua aldeia. Pedimos desculpas a mesma e gostaríamos de pedir a vocês também – escreveu a página Fraudadores de Cotas Pernambuco.

 

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