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Felca comenta sobre ameaças: “Quem tem que ter medo são eles”

Influenciador avaliou o alcance de seu vídeo sobre "adultização"

Pleno.News - 17/08/2025 15h24 | atualizado em 18/08/2025 13h52

Felca no Altas Horas Foto: Reprodução/TV Globo

Felca, youtuber que ficou conhecido por seu vídeo sobre “adultização”, participou do Altas Horas, da Globo, exibido neste sábado (16). Sua entrevista a Serginho Groisman foi ao ar logo no início da atração. Ele avaliou o alcance de sua publicação.

– Causou um movimento tão gigantesco que, agora, nesse momento, está sendo meio nebuloso, meio difícil de cair a ficha. Mas é um convite para as pessoas que estão assistindo entenderem que vocês têm voz. Existe um poder nas pessoas. Você ver algo que está errado e falar, denunciar. As pessoas ouvem. Existe bondade no mundo – disse.

Felca relembrou que teve o sonho de trabalhar com vídeos na internet logo aos 12 anos, mas foi freado por seus pais.

– Fiquei revoltado por um tempo. Hoje quando olho para trás eu entendo muito bem e agradeço aos meus pais.

– Meus pais falaram: “Muito bacana o que você tá fazendo, apoio, mas ainda é muito cedo. Tem que esperar um pouco mais, amadurecer, nesse ambiente que você está entrando, talvez não entenda tudo” – prosseguiu.

COMO SURGIU A IDEIA DO VÍDEO ADULTIZAÇÃO
Felca comentou que a ideia para o vídeo surgiu de sua indignação.

– Eu observei que [havia] esse movimento na internet, de crianças produzindo conteúdo, e o público era dividido. Tinha outras crianças consumindo, alguns pais, mas tinha naquele público, também, pedófilos.

– Um conteúdo que se eu mostrasse para você sem dar o contexto, você ia falar que é inocente. Uma criança brincando, se divertindo com as amigas… Mas existiam pedófilos “cantando” aquelas crianças – completou.

– Você vai vendo aquilo, aquele movimento acontecendo, pessoas que produzem conteúdos com crianças, que às vezes adultizam propositalmente a criança… Se você não sente uma indignação, você não é um ser humano. E eu senti uma indignação, tinha um público e falei.

Felca também opinou que crianças “não têm que produzir conteúdo na internet”:

– É um ambiente em que a exposição não é algo fácil de lidar. A exposição vem com críticas, pessoas comentando sobre você, a aparência, às vezes um assédio. A criança não está preparada para receber qualquer tipo dessas coisas. Internet é um ambiente para adultos.

Uma mulher da plateia perguntou o que faltava, até então, para que o caso de Hytalo Santos – apesar de não citá-lo diretamente – tomasse proporções maiores, comentando que “isso não é de hoje”.

Felca respondeu:

– Existiam muitas pessoas falando sobre. Já era uma coisa bem pública. Acho que faltou uma mobilização mais numerosa, mesmo. Foi uma questão de alcance que atingiu.

– O alcance não vem quando a pessoa tem muita autoridade, vem quando decide reunir informações importantes. Reunir provas, pesquisar, denunciar… Quando ela reúne informações em um vídeo que seja fácil de consumir – opinou o influenciador.

Outro membro da plateia questionou “o que foi mais difícil: editar o vídeo e juntar as denúncias ou a repercussão” causada por ele.

Felca respondeu que “com certeza foi reunir essas informações”, relembrando que ficou cerca de um ano na produção do vídeo e que parte da demora se deveu ao fato de ter que fazer pausas para cuidar da saúde mental em meio ao contato com um “tema tão aversivo”.

PROCESSOS E AMEAÇAS
Felca celebrou a forma como o vídeo foi bem recebido.

– Por mais que seja muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, a repercussão é muito positiva. Se estão dando luz para essa causa, acho que pode haver mudanças – comentou.

Serginho Groisman então aproveitou para questionar sobre as ameaças recebidas pelo influenciador.

– Algumas ameaças, algumas críticas, alguns movimentos de difamação, de tentar descredibilizar. Como eu recebo isso? Eu sabia o que estava fazendo, que era grande. Tudo era esperado – respondeu Felca.

Ele afirmou que também tinha receio de que fosse sofrer processos na Justiça por causa do vídeo sobre adultização.

– Isso é delicado de falar, mas é verdade: alguns pedófilos que se incomodaram pessoalmente por eu tentar quebrar o esquema de pedofilia deles. Vão se sentir atacados pessoalmente e bater de frente. Mas, sinceramente, quem tem que ter medo são eles, não a pessoa que está denunciando.

Por fim, Felca foi questionado sobre mecanismos disponíveis para mudar o tema hoje no Brasil.

– Existe o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e leis para proteção. O que esses criminosos fazem são crimes. Acho que o melhor movimento é a iniciativa do indivíduo em denunciar.

– Ir atrás, reunir provas e pesquisas e denunciar. Se tudo der certo, a gente consegue uma mudança no algoritmo para que esses conteúdos não sejam capazes de chegar no seu feed – concluiu Felca em sua passagem pelo Altas Horas.

*AE

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