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Em vídeo, Eustáquio denuncia surras e tortura na prisão

Jornalista agora cumpre prisão domiciliar

Gabriela Doria - 24/05/2021 17h18 | atualizado em 24/05/2021 18h08

Oswaldo Eustáquio e Sandra Terena
Oswaldo Eustáquio e Sandra Terena Foto: Arquivo Pessoal

O jornalista Oswaldo Eustáquio denunciou, em depoimento ao Ministério Público do Distrito Federal, que foi espancado e torturado por policiais penais no período em que ficou preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Segundo Eustáquio, que foi preso por ordem do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do inquéritos dos atos antidemocráticos, as agressões aconteceram no dia 18 de dezembro – mesmo dia em que foi detido após decisão do ministro Alexandre de Moraes.

– Fui espancado e torturado. Só terminou quando fiquei inconsciente. É uma dor descomunal, que não consigo expressar, porque as dores vão se misturando – relatou ao MP em videoconferência obtida pelo portal Metrópoles.

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Ainda segundo o jornalista, ele discutiu com um policial poucas horas após chegar à Papuda. O desentendimento ocorreu porque Eustáquio teria se recusado a comer a marmita da janta e foi chamado de “animal” por um dos agentes. O jornalista devolveu o xingamento, o que desagradou o policial, que afirmou que ele seria castigado. Um dos castigos impostos foi a suspensão do banho de sol para toda ala onde o jornalista estava.

Eustáquio descreveu uma das agressões enquanto estava a caminho da cela solitária, chamada de “P-zero”.

– Eles me disseram: “Tem que pedir licença”, e eu pedi. “É licença, seu polícia”. Então segui a ordem. Pouco depois levei um tapa. “Tem que pedir licença para todos os policiais. Se forem dez policiais, tem que pedir dez vezes”. No fim do corredor, levei um golpe de cassetete – prosseguiu Eustáquio no depoimento.

O jornalista disse que as provocações continuaram e que os policiais o obrigaram a chamar a si mesmo de “animal’.

– Um deles me deu uma chave de braço, e outro em outro braço; os dois torcendo minhas mãos. Um terceiro veio e me enforcou com o cassetete. Não sabia onde sentir dor. Comecei a passar mal. Quando o policial parou de me enforcar, me jogaram no rosto uma espécie de chantilly ou creme de barbear de pimenta. Perdi os sensos. Me enforcaram de novo, e depois mais spray. Foi a última lembrança antes de acordar numa solitária, sem camiseta e com marcas no corpo – contou.

O jornalista afirmou que, mesmo machucado, não foi submetido ao exame de corpo de delito, ação que poderia comprovar as agressões.

Oswaldo Eustáquio segue cumprindo pena em regime domiciliar.

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