Zema lança plano de governo para restringir atuação do STF
Pré-candidato à Presidência fala em "acabar com a farra dos intocáveis"
Pleno.News - 17/04/2026 08h58 | atualizado em 17/04/2026 09h07

Pré-candidato a presidente da República, Romeu Zema (Novo) prometeu nesta quinta-feira (16) que, se eleito, a primeira medida do seu governo será propor ao Congresso Nacional um “novo” Supremo Tribunal Federal (STF). Ele defendeu a prisão de “dois ministros”.
– Esse exemplo que está lá hoje, é para o Brasil mergulhar na criminalidade, no banditismo e na corrupção. É para isso que está servindo o exemplo do senhor Alexandre de Moraes e Dias Toffoli – disse Zema.
Ele lançou as diretrizes do seu plano de governo em um evento em São Paulo sob o mote “O Brasil sem intocáveis”.
– A direção do plano é clara: a primeira coisa que eu vou fazer é acabar com a farra dos intocáveis. Minha primeira medida será propor ao Congresso um novo Supremo, em que seus membros prestem contas de seus atos – disse Zema durante o discurso.
O ex-governador de Minas defendeu que parentes de ministros do STF sejam proibidos de ter negócios jurídicos e que sejam estabelecidos idade mínima de 60 anos para indicação à Corte e mandato de 15 anos.
– Um novo Supremo é um primeiro passo para um programa de moralização do Judiciário – continuou ele.
Zema afirmou ainda que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem “rabo preso” e, por isso, está impedindo as investigações sobre ministros do STF avançarem.
– Precisamos não só tirar dois ministros de lá [STF], pelo que já se viu até agora, como também mandá-los para a prisão em nome de uma democracia que pune quem cometeu crimes – afirmou o ex-governador de Minas Gerais.
O cientista político Luiz Felipe D’Ávila, que foi candidato a presidente pelo Novo em 2022 e agora contribui com o programa de Zema, disse que o objetivo das medidas é restabelecer a “função constitucional do STF”, fazendo com o que a Corte volte a ser uma intérprete da Constituição.
– Não existe artigo que permita ao STF legislar – afirmou.
Outras propostas nesta área são acabar com as decisões monocráticas e proibir a nomeação de parentes de políticos e magistrados para cargos nos tribunais de contas estaduais.
Zema se envolveu em um bate-boca público nos últimos dias com o ministro do STF Gilmar Mendes após dizer que o Brasil vive “crise moral” e que ministros do STF protagonizam a “farra dos intocáveis”.
Em resposta, Gilmar disse ser “irônico” Zema criticar a Corte que deu decisões favoráveis à renegociação da dívida de Minas Gerais durante a gestão do ex-governador. Na tréplica, Zema rebateu declarando que achava que a decisão tinha fundamentos jurídicos mas que, após a fala do ministro, descobriu que foi uma tentativa de torná-lo submisso a Gilmar “pelo resto da vida”
O pré-candidato do Novo prometeu também enquadrar facções criminosas como organizações terroristas e reduzir a maioridade penal, atualmente em 18 anos.
– Crime de adulto vai ter pena de adulto – afirmou.
*AE
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