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No Flow, Ricardo Nunes diz que foi vereador “casca de bala”

Em podcast, prefeito de São Paulo fez uso de algumas gírias

Pleno.News - 11/09/2024 10h21 | atualizado em 11/09/2024 13h12

Ricardo Nunes Foto: Reprodução/Flow Podcast

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) adaptou a linguagem utilizada por ele em entrevista ao Flow Podcast, que reúne uma audiência predominantemente jovem na internet. Ele usou gírias para atacar Pablo Marçal (PRTB), se colocar como conservador e rebater as acusações do influenciador de que ele é “comunista” e de “esquerda”.

Na entrevista na noite desta terça-feira (10), Nunes se referiu, por diversas vezes, ao apresentador como “mano”. Também, usou a palavra “parada” para substituir o substantivo coisa, em inúmeras ocasiões, e disse que foi um vereador “casca de bala”, ao se posicionar contra temas como a chamada ideologia de gênero, a legalização do aborto e das drogas e pedir a quebra de sigilo fiscal na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Sonegação Tributária.

– Quando o cara fala que eu sou de esquerda, comunista, defendo ideologia de gênero. Eu não sou. Sou o contrário – disse Nunes.

– Esse papo não é legal. Eu vim da periferia. Lá na minha quebrada a gente chama isso de crocodilagem – continuou o prefeito, que colocou em dúvida as credenciais de “direitista” de Marçal.

Um dos motes da campanha de Nunes, inclusive com um jingle dedicado a isso, é destacar que sua origem é na periferia da Zona Sul. Ele exibiu um vídeo, durante a entrevista, de um discurso que fez como vereador contra a inclusão da ideologia de gênero no Plano Municipal de Educação em 2015.

O prefeito também criticou propostas de Marçal. Disse que é “conversa” que o empresário construirá prédio de um quilômetro de altura, porque “a Prefeitura não constrói prédio”, e que a cidade não tem o relevo adequado para se construir teleféricos.

Nunes também mencionou suspeitas de que membros do PRTB, partido de Marçal, sejam ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele citou o caso revelado pelo Estadão de que o ex-presidente estadual da sigla, Tarcísio Escobar, é investigado por trocar carros de luxo por cocaína para o PCC e o áudio no qual o atual presidente nacional da legenda, Leonardo Avalanche, diz que pertence à organização criminosa e que ajudou a soltar o traficante André do Rap.

Marçal nega qualquer relação com irregularidades supostamente praticadas por integrantes da legenda. Avalanche nega ter relação com o PCC. Escobar se diz inocente.

O prefeito foi questionado sobre a suspeita de que um dos seus principais aliados, o presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União Brasil) também tenha ligação com a facção criminosa. Nunes afirmou que pessoas públicas podem e devem ser investigadas e, se forem culpadas, precisam pagar. Caso sejam inocentes, disse, elas demonstrarão isso. Leite sempre negou qualquer ligação com a facção.

– Mas não dá para comparar isso [Milton Leite] com aquilo do Pablo Marçal. É diferente. A parada dos cara [sic] é outra. É cara que foi pego no telefone [falando que era do PCC]. O que foi o presidente estadual do PRTB aqui ,o Escobar, Pablo, Pablo Escobar, Escobar, umas parada meia louca, né? [sic] – disse Nunes, buscando associar o primeiro nome de Pablo Marçal com o sobrenome de Tarcísio Escobar para remeter os telespectadores ao narcotraficante Pablo Escobar.

– O papo é o seguinte: não é discussão de qual é o voto da direita. É o voto no cara que mente e está envolvido com a bendita organização criminosa [contra o voto em] e quem fala a verdade – acrescentou o prefeito.

*AE

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