Malafaia sobre Marçal entrevistar Boulos: Acabou de se esborrachar
Em entrevista ao Pleno.News, pastor chamou empresário de "oportunista" com necessidade de exposição
Thamirys Andrade - 25/10/2024 15h37 | atualizado em 25/10/2024 16h12

O pastor Silas Malafaia comentou a repercussão negativa que a sabatina do ex-candidato à Prefeitura Pablo Marçal (PRTB) com seu ex-rival nas urnas Guilherme Boulos (PSOL) teve em meio a parte dos eleitores de direita. O líder cristão acredita que dar espaço ao psolista em seu canal no YouTube é uma prova de que Marçal não é de direita, mas sim “oportunista”, e crê que o empresário “acabou de se esborrachar” com a iniciativa. As declarações ocorreram em entrevista ao Pleno.News.
– Como um cara da direita vai fazer uma entrevista com um cara da esquerda? Pra poder enaltecer o cara. Isso no mundo político não existe. O outro, o Boulos, está desesperado porque está lá atrás, quer qualquer oportunidade. Agora, ele que se diz da direita, você está vendo aí os comentários. Acabou de se esborrachar. De direita ele nunca foi. Eu denunciei em mais de 30 vídeos o maior oportunista que está enganando evangélicos e a direita – declarou.
O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec) considera que Marçal é “o maior mal da história da Igreja Evangélica brasileira” e possui problemas psicológicos que precisam ser tratados.
– Esse cara comanda um exército de desigrejados. Esse cara tem problema com autoridade, não se submete, por isso nega a autoridade do pastor, a importância do corpo de Cristo como Igreja com autoridade pastoral. Então tudo o que eu denunciei dele eu já sabia. E outra, ele tem problemas e precisa de tratamento. Problemas graves. Ele tem uma gana de aparecer, que ele faz qualquer coisa para estar em evidência. Isso é coisa de gente normal? – questionou.
Malafaia ainda afirmou perdoar os que o criticaram por se opor a Marçal.
“CONHEÇO O JOGO”
Ao citar sua proximidade com temas políticos, o pastor recordou como seu pai, o pastor Gilberto Malafaia, o instruiu a se aprofundar nessa temática. De acordo com ele, é esse o motivo que o faz se posicionar nos dias atuais.
– Meu pai, quando eu tinha 10 anos, me ensinou a ler jornal. Meu pai era um cara top, de nível cultural, espiritual, tudo. Então, com 10 anos, para eu ler a parte de esportes do Jornal do Brasil, eu tinha que ler a política nacional e internacional. Eu tenho 66, há 56 anos que eu acompanho a política no Brasil e fora. Eu conheço, conheço o jogo, sei o que está por trás, por isso que eu me posiciono – declarou.
– Eu não sou candidato a nada, nem quero ser. Apenas ser uma voz para alertar o povo de Deus, para não ser ludibriado por obreiros fraudulentos. E essa gente maligna, perversa, manipuladora, é para confrontar essa gente que Deus me levantou. Eu já sabia tudo isso que as pessoas agora estão vendo. E a casa dele caiu. A primeira eleição, ele era novidade, agora não é mais, acabou. Não tem mais truque para enganar o povo. Todo mundo sabe quem ele é – completou.
ENTENDA
Terceiro colocado na disputa pela Prefeitura paulistana, Marçal decidiu lançar um desafio aos dois candidatos que concorrem ao segundo turno: Ricardo Nunes e Guilherme Boulos. Trata-se de uma sabatina ou uma espécie de “entrevista de emprego”, na qual ele se colocaria como mediador em live transmitida em seu canal no YouTube. Entretanto, apenas o psolista aceitou o convite.
– Eu fui a pessoa mais atacada pelo Marçal durante a campanha inteira. Até laudo falso na véspera do primeiro turno contra mim ele lançou. Mas eu não faço política com ressentimento, não faço política com rancor. E o diálogo também será com as pessoas que votaram nele no primeiro turno, que apostaram nele – disse Boulos.
Na equipe do psolista, a avaliação é de que o candidato não teria nada a perder na sabatina e ganharia a oportunidade de falar diretamente com o público que precisa atrair.
Marçal, por sua vez, prometeu conduzir a live de forma respeitosa conforme seu papel de entrevistador, fazendo “perguntas técnicas”. Também disse que usaria sua experiência como recrutador de empresas para ajudar os eleitores indecisos a escolherem, embora tenha destacado que “não vota em comunista”.
A iniciativa não foi bem recebida por parte da direita. Como apenas o psolista aceitou, uma parcela dos conservadores encarou negativamente a ideia de dar exposição para o político de esquerda falar justamente para o público que visa atingir. Há, por outro lado, outros que defenderam o empresário por enxergar na sabatina uma “jogada de marketing”.
O Pleno.News tentou contato com Marçal, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para pronunciamento do empresário.
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