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PSOL entra em crise por doações de empresários a candidato

Para setor do partido, candidato deveria devolver o dinheiro ou desistir de concorrer pela sigla

Pleno.News - 02/10/2020 17h32 | atualizado em 02/10/2020 17h50

Candidato Wesley Teixeira Foto: Laís Dantas/Divulgação

O PSOL do Rio entrou em crise após um candidato a vereador do partido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense (RJ), receber, de pessoas ligadas ao setor financeiro, doações para sua candidatura. Wesley Teixeira é um jovem negro de 24 anos, evangélico e “anticapitalista” que trabalha como educador popular no município de 924 mil habitantes.

Nascido e criado no Morro do Sapo, ele recebeu contribuições do economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no governo FHC; do cineasta João Moreira Salles, que integra o conselho administrativo do Itaú Unibanco; e da escritora Beatriz Bracher, também ligada ao Itaú. Os três aportaram recursos que somam R$ 75 mil.

Para setores mais radicais da legenda, especificamente o grupo Insurgência, Wesley deveria devolver o dinheiro ou desistir de concorrer pelo partido. Isso porque, segundo essa ala, o estatuto da sigla é claro ao proibir doações diretas ou indiretas de “empresas multinacionais, empreiteiras e bancos ou instituições financeiras nacionais e/ou estrangeiros.” Ele se recusou a acatar as orientações. Anunciou, inclusive, que não integrará mais o grupo interno do qual fez parte por seis anos. Líderes do partido, como o deputado federal Marcelo Freixo, principal quadro da legenda, saíram em defesa de Wesley.

Militante antirracista numa região em que a esquerda é quase nula e na qual a política tem histórico clientelista, Wesley teve a candidatura apoiada por Sueli Carneiro, diretora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, e por Pedro Abramovay, presidente da Open Society para a América Latina. Surgiu de Abramovay a ideia de apresentar o caxiense a intelectuais milionários que se preocupam com a situação política do País.

– O Pedro é uma pessoa que eu valorizo muito, e ele sugeriu que valeria conhecer o Wesley. Tivemos uma ótima e longa conversa com ele (…) É um cara jovem, com trajetória de vida muito relevante e marcante. E foca em temas importantes: racismo, violência, política – contou Armínio ao Estadão.

Questionado sobre as posições “anticapitalistas” do candidato, o ex-presidente do Banco Central, que atualmente comanda a Gávea Investimentos, disse que as visões do jovem sobre regimes políticos são irrelevantes no momento. Afinal, disse, o cargo de vereador não lhe daria atribuições voltadas para a macroeconomia

Armínio afirmou ainda que não vai comentar as intrigas internas do PSOL, já que não tem nenhuma relação com o partido.

– Eu apoio o Wesley na direção que ele resolver tomar – disse.

Enquanto doou R$ 30 mil para o candidato do PSOL de Caxias, o economista deu também R$ 25 mil para um candidato a vereador pelo Novo na capital fluminense. O partido ultraliberal está no lado oposto ao do PSOL no espectro político.

Em nota divulgada após a repercussão do caso, Wesley endossou a versão contada por Armínio e explicou que não houve nenhum tipo de acordo ou contrapartida exigida em troca do dinheiro. “(…) e para entender esta doação é preciso lembrar que vivemos um período iniciado em 2016 com um ‘acordo com o Supremo e com tudo’ cruel de ameaça a direitos básicos e aumento da violência contra os mais pobres”, escreveu, lembrando também a morte da vereadora Marielle Franco e a eleição de Jair Bolsonaro presidente.

– Por isso, neste período tão ameaçador que vivemos, algumas pessoas que contribuíram para a retirada de direitos e para a ascensão do governo de morte que temos hoje passam a temê-lo – assinalou.

Outro ponto abordado por ele foi a discrepância de recursos entre brancos e negros. Com os milhares recebidos da elite, disse, poderá investir em um mandato com base nos seus valores.

– É por isso que este dinheiro será usado em uma campanha de afirmação da vida, de ocupação preta para chegar na Câmara Municipal de Duque de Caxias e combater a política de morte das mesmas famílias que governam esta cidade, para eleger um mandato comprometido com os movimentos sociais, com controle e participação popular, para pensar uma cidade para se viver e não para o lucro – apontou.

O Estadão não conseguiu contato com a direção do PSOL no Rio e com o grupo Insurgência para comentar a polêmica.

*Estadão

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