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Discord chama de “prematura” decisão que suspendeu suas lives

Rede social afirmou que caracterização feita pela ANPD "não reflete a plataforma"

Thamirys Andrade - 12/08/2026 17h06 | atualizado em 12/08/2026 20h13

Discord Foto: Divulgação

O Discord reagiu à decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) de suspender as transmissões ao vivo da plataforma no Brasil. Em nota, a empresa descreveu a medida como “prematura” e afirmou estar “desapontada”.

A rede social afirmou ainda que recebeu a notificação da agência na última sexta-feira (7) e que, portanto, ainda estava dentro do prazo aplicável para apresentar sua manifestação.

– Recebemos a determinação da ANPD e estamos cuidadosamente analisando seu conteúdo. A caracterização do Discord feita pela ANPD não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários – declarou a plataforma.

Na sequência, a empresa destacou não tolerar “grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência”. Também comentou diretamente o caso da adolescente de 13 anos que teria sido induzida por um grupo de adolescentes a cometer suicídio durante uma transmissão no Discord.

– Investigamos rapidamente e removemos o servidor privado, acessível somente por convite, envolvido no caso pouco depois de sua criação, e seguimos cooperando com as autoridades policiais na investigação. Além disso, nossa investigação encontrou evidências de que a atividade criminosa foi coordenada em outras plataformas antes da criação do servidor no Discord e continuou nessas plataformas após os indivíduos envolvidos terem sido banidos do Discord – assinalou a companhia.

A nota expressa ainda a expectativa de “continuar conversas com formuladores de políticas públicas no Brasil para promover uma experiência online mais segura para todos os usuários, tanto no Discord quanto em toda a internet”.

ENTENDA
A ANPD determinou a suspensão das transmissões ao vivo do Discord em até três dias úteis até que a plataforma comprove ter tomado iniciativas para proteger crianças e adolescentes.

A medida ocorre na esteira de críticas da primeira-dama Janja da Silva à rede social, que é amplamente utilizada por jogadores de games online. A esposa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende que a plataforma seja retirada do ar.

– O grupo responsável tem que ser criminalizado, mas a plataforma é cúmplice disso, e a gente precisa, urgente, encontrar os instrumentos jurídicos para essa plataforma ser banida do Brasil – declarou Janja, defendendo que a rede social não respeita o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital).

Integrantes da ANPD se reuniram com representantes da empresa nesta terça, e decidiram pela medida cautelar argumentando haver “evidências robustas de que a empresa não adotou medidas razoáveis para prevenir e mitigar riscos de acesso, exposição, recomendação ou facilitação de contato com conteúdos ou práticas que representem graves violações de direitos de crianças e adolescentes”.

Presidente da agência, Fabrício Lopes destacou que o Discord não está sendo bloqueado, mas somente a funcionalidade “go live”, usada para transmissões ao vivo em servidores fechados, com o objetivo de “reduzir os riscos de danos graves ou de difícil reparação”.

Um processo foi instaurado pela ANPD para apurar possíveis irregularidades na plataforma que, caso sejam confirmadas, podem gerar outras punições, incluindo multas de até R$ 50 milhões por cada violação.

O Discord poderá apresentar recurso na Superintendência de Fiscalização em até dez dias úteis. A empresa não detalhou se pretende recorrer ou cumprir a determinação da ANPD.

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