Leia também:
X Web se une e lança campanha #ForaDoriaVemWeintraub

Dez crianças são agredidas por hora no Brasil, diz estudo

Caso Henry Borel trouxe a mazela de volta às discussões

Pleno.News - 18/04/2021 18h13 | atualizado em 19/04/2021 11h30

Por dia, no mínimo 243 crianças sofrem agressão Foto: Pixabay

Todos os dias, pelo menos 243 casos de tortura ou de agressões físicas ou psicológicas (mais de dez por hora) contra menores de idade são notificados no Brasil. Para os especialistas, esse número representa apenas a ponta de um problema muito maior. A estimativa é de que, para cada registro de violência desse tipo, outros 20 casos aconteçam – e não sejam oficialmente denunciados.

Essas agressões muitas vezes são “invisíveis”, sobretudo quando não terminam (ou até terminarem) em morte. Este foi provavelmente o caso do menino Henry Borel, de 4 anos. Ele morreu com lesões que levantaram suspeita de tortura.

A maioria dos casos ocorre dentro da própria casa do menor e tem como autores pessoas do seu círculo familiar (sobretudo pai, mãe ou responsável). As crianças são reféns de seus agressores, ainda mais em uma situação de quarentena e fechamento das escolas impostos pela pandemia de Covid-19.

O levantamento foi feito pela Sociedade Brasileira de Pediatria, com apoio da agência 360° CI, junto ao Sistema Nacional de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde.

Somente no ano de 2019 (dado mais recente disponível), a soma desses três tipos de crime contra crianças e adolescentes, de 0 a 19 anos, chegou a 88.572 notificações. Desse total de casos, 71% (62.537) foram de violência física; 27% (23.693) de violência psicológica; e 3% (2.342) de tortura. As agressões deixam, em muitos casos, severas sequelas físicas, psíquicas e cognitivas nos menores, interferindo em seu desenvolvimento.

Ao analisar a série histórica entre 2010 e 2019, o número total de agressões chega a 629.526; ou 173 casos por dia. Impressiona que, desde a adoção dessa plataforma, os registros tenham crescido de forma consistente. Em 2010, foram 24.040 notificações. Em 2019, o número já havia saltado para 88.572 – um aumento de 268%.

– Durante muito tempo a violência contra a mulher foi silenciada, normalizada, todo mundo fingia que não existia. Isso só começou a mudar depois da Lei Maria da Penha – compara a juíza Andrea Pachá, da 4.ª Vara de Órfãos e Sucessões do Tribunal de Justiça do Rio.

– O mesmo está acontecendo agora com a violência contra as crianças. Quando a violência vem à tona, as pessoas começam a ficar mais atentas aos sinais – compara.

Pelos dados do Sinan, é possível observar que as agressões atingem todas as faixas etárias da população pediátrica. Quase 25 mil casos notificados nas unidades de saúde públicas e privadas ao longo da última década eram de bebês menores de 1 ano. Outros 51,3 mil registros envolviam crianças de um a quatro anos.

– Esses números são apenas a ponta de um enorme iceberg. A subnotificação é uma realidade. O total de casos que não chega ao atendimento médico nem ao conhecimento das autoridades é significativo. Nós que lidamos com isso todos os dias sabemos muito bem – aponta o pediatra Marco Antônio Chaves Gama, presidente do Departamento Científico de Segurança da SBP.

Segundo ele, os agressores só levam as vítimas ao médico quando a violência assume proporções muito graves ou quando há risco de morte. Por outro lado, crianças que são agredidas desde muito jovens tendem a achar que a violência é normal e não costumam denunciar.

Especialistas lembram que é possível notificar a mera suspeita de violência ao Conselho Tutelar e ao Ministério Público, para investigação posterior por parte das autoridades. Casos mais graves podem ser denunciados à polícia, até de forma anônima.

– A violência é uma doença que não vê distinção de classe social, etnia, religião ou grau de escolaridade dos pais e vai se perpetuando nas famílias – explica Gama.

Pecisamos interferir, interromper esse ciclo, salvar a vida dessas crianças e impedir que cresçam com sequelas – finaliza o pediatra.

*Estadão

Leia também1 Professor de Direito sugere que vítima ‘colabora’ com estupro e causa revolta
2 França aprova lei que considera estupro sexo com menores de 15
3 Filho de ex teve fêmur fraturado após passeio com Jairinho
4 MG: Jovem de 18 anos é preso suspeito de estuprar 4 primos
5 Vídeo mostra menino Henry mancando após agressão

Siga-nos nas nossas redes!
WhatsApp
Entre e receba as notícias do dia
Entrar no Grupo
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.