Delivery reforça o protagonismo das motos na mobilidade
Setor de duas rodas se beneficia do aumento do trabalho por aplicativo e da busca por alternativas de mobilidade mais acessíveis
Pleno.News - 19/03/2026 18h57 | atualizado em 20/03/2026 11h54

O mercado de motos usadas vive um momento de forte expansão no Brasil. Impulsionado principalmente pela popularização dos serviços de entrega por aplicativo, o setor tem atraído milhares de novos profissionais que veem na moto uma ferramenta de trabalho e geração de renda.
Nesse cenário, muitos consumidores recorrem ao mercado de motos para começar a trabalhar, enquanto outros utilizam a Tabela Fipe de motos como referência para avaliar preços e negociar modelos mais acessíveis.
O aumento da demanda por entregas rápidas nas cidades, especialmente após a pandemia, mudou a dinâmica do setor.
Aplicativos de delivery, restaurantes e empresas de logística passaram a depender cada vez mais de motociclistas para garantir agilidade nas entregas.
Como consequência, a procura por motos cresceu de forma significativa, tanto no mercado de novos modelos quanto no de seminovos.
Nos últimos anos, os números mostram uma evolução consistente.
Em 2025, por exemplo, o Brasil registrou cerca de 2,1 milhões de motocicletas vendidas, com crescimento de aproximadamente 17,1% em relação ao ano anterior, segundo dados da Abraciclo.
Esse volume foi tão expressivo que, pela primeira vez, as vendas de motos superaram as de carros no país.
Esse cenário demonstra como os motoboys e entregadores se tornaram protagonistas na transformação do mercado de duas rodas.
O IMPACTO DOS APLICATIVOS DE ENTREGA
A expansão dos aplicativos de delivery é um dos fatores mais importantes para entender o crescimento do mercado de motos.
Plataformas de entrega criaram um novo modelo de trabalho, no qual a motocicleta se tornou essencial para garantir rapidez e mobilidade nos centros urbanos.
Empresas como iFood, Rappi, Uber Eats e Loggi passaram a demandar milhares de entregadores diariamente.
Esse movimento aumentou o número de pessoas que utilizam motos para trabalhar, principalmente nas grandes cidades.
Alguns fatores explicam esse crescimento:
– Aumento do consumo de delivery nas cidades;
– Busca por renda extra ou trabalho autônomo;
– Facilidade de locomoção em trânsito intenso;
– Baixo custo de operação em comparação com carros.
De acordo com dados da Abraciclo, o avanço das entregas por aplicativo contribuiu diretamente para o aumento da produção e vendas de motocicletas no país.
Além disso, muitos trabalhadores que perderam emprego formal nos últimos anos encontraram nas entregas uma alternativa rápida para gerar renda, o que também ajudou a aumentar a procura por motos.
CRESCIMENTO CONSISTENTE DO MERCADO DE MOTOCICLETAS
Os números do setor confirmam a forte expansão do mercado de duas rodas no Brasil.
Segundo dados da indústria:
– Em 2024 foram vendidas cerca de 1,88 milhão de motocicletas, um crescimento de 18,6% em relação ao ano anterior;
– A produção também aumentou, acompanhando a demanda crescente;
– O país se mantém entre os maiores mercados de motocicletas do mundo.
Esse crescimento também está ligado a fatores econômicos e sociais.
Entre os principais estão:
– Aumento do preço dos combustíveis;
– Necessidade de transporte mais barato;
– Crescimento do trabalho informal;
– Expansão do comércio digital e do delivery.
Outro ponto importante é que a motocicleta se tornou uma solução de mobilidade eficiente nas cidades, principalmente em regiões com trânsito intenso.
A FORÇA DO MERCADO DE MOTOS USADAS
Com o aumento da demanda por entregas, o mercado de motos usadas ganhou ainda mais relevância.
Muitos profissionais que desejam começar a trabalhar com delivery preferem comprar um modelo seminovo, que geralmente possui preço mais acessível.
Esse movimento aqueceu também o setor de revenda de motos.
Entre os motivos que levam entregadores a escolher motos usadas estão:
– Investimento inicial mais baixo;
– Facilidade de financiamento;
– Menor desvalorização;
– Maior oferta de modelos no mercado.
Além disso, a Tabela Fipe de motos é amplamente utilizada como referência para determinar valores de compra e venda, ajudando compradores e vendedores a negociar com mais segurança.
Para quem pretende trabalhar com entregas, o custo-benefício costuma ser o principal critério na escolha do veículo.
MODELOS MAIS USADOS POR ENTREGADORES
Entre os entregadores, existe uma preferência clara por motocicletas de baixa cilindrada, que são mais econômicas e fáceis de manter.
Pesquisas do setor indicam que uma única marca domina a maior parte da frota utilizada em entregas. Segundo levantamento do Data Gaudium, cerca de 75% das motos usadas por entregadores no Brasil são da Honda, principalmente modelos da linha CG.
Essas motos são populares por alguns motivos:
– Baixo consumo de combustível;
– Manutenção simples;
– Grande disponibilidade de peças;
– Resistência ao uso intenso.
Entre os modelos mais comuns nas ruas estão:
– Honda CG 160;
– Honda Pop 110i;
– Honda Biz;
– Yamaha Factor 150.
Essas motocicletas oferecem equilíbrio entre economia, durabilidade e custo de manutenção, características fundamentais para quem roda muitas horas por dia realizando entregas.
A MOTOCICLETA COMO FERRAMENTA DE TRABALHO
Para milhares de brasileiros, a moto deixou de ser apenas um meio de transporte e passou a ser uma verdadeira ferramenta de trabalho.
Motoboys e entregadores percorrem diariamente grandes distâncias para atender pedidos de restaurantes, farmácias, mercados e lojas virtuais. Em muitos casos, esses profissionais realizam dezenas de entregas por dia.
Algumas vantagens da motocicleta nesse tipo de atividade incluem:
– Agilidade no trânsito urbano;
– Menor gasto com combustível;
– Facilidade de estacionamento;
– Menor custo de aquisição em comparação com carros.
Além disso, a manutenção de motos costuma ser mais barata, o que permite que os entregadores mantenham o veículo em funcionamento constante.
DESAFIOS ENFRENTADOS PELOS ENTREGADORES
Apesar das oportunidades geradas pelo crescimento do mercado de motos, os motoboys também enfrentam diversos desafios no dia a dia.
Entre os principais estão:
– Longas jornadas de trabalho;
– Exposição constante ao trânsito;
– Riscos de acidentes;
– Custos com manutenção e combustível.
Outro ponto importante é que muitos entregadores trabalham de forma autônoma, o que significa que precisam arcar com despesas como manutenção, pneus, seguro e equipamentos de proteção.
Mesmo assim, a atividade continua atraindo novos profissionais, principalmente pela flexibilidade de horários e possibilidade de renda imediata.
PERSPECTIVAS PARA O FUTURO DO MERCADO
As perspectivas para o mercado de motocicletas no Brasil continuam positivas. A expectativa da indústria é que a demanda permaneça elevada nos próximos anos, impulsionada principalmente pelo crescimento do comércio digital e dos serviços de entrega.
Algumas tendências que devem influenciar o setor incluem:
– Expansão das plataformas de delivery;
– Aumento da demanda por motos mais econômicas;
– Crescimento do mercado de motos elétricas;
– Fortalecimento do mercado de motos usadas.
Além disso, as montadoras estão investindo em modelos cada vez mais eficientes e econômicos, focados justamente no público que utiliza a moto como instrumento de trabalho.
CONCLUSÃO
O crescimento do mercado de motocicletas no Brasil está diretamente ligado à expansão dos serviços de entrega e ao aumento do número de motoboys nas cidades. Esses profissionais se tornaram peças fundamentais na logística urbana e ajudaram a impulsionar as vendas de motos em todo o país.
Com a popularização dos aplicativos de delivery, a motocicleta passou a ser vista por muitos brasileiros como uma oportunidade de trabalho e renda.
Isso estimulou tanto a venda de modelos novos quanto o mercado de motos usadas, que oferece opções mais acessíveis para quem deseja iniciar na atividade.
Ao mesmo tempo, ferramentas como a Tabela Fipe de motos continuam sendo essenciais para orientar negociações e garantir maior transparência nas transações.
Diante desse cenário, tudo indica que o mercado de motos continuará em expansão nos próximos anos.
E enquanto as cidades exigirem rapidez e eficiência nas entregas, os motoboys seguirão desempenhando um papel central no crescimento desse setor.
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