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Correios ainda precisam de R$ 8 bilhões para fechar as contas

Informação foi dada pelo chefe da estatal

Pleno.News - 30/12/2025 11h15 | atualizado em 30/12/2025 12h15

Emmanoel Rondon, presidente dos Correios Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, disse, nesta segunda-feira (29), que o plano de reestruturação da companhia foi concebido com a necessidade de captar R$ 20 bilhões e que ainda é preciso obter R$ 8 bilhões para fechar a conta. Segundo o executivo, ainda será definido se essa captação terá ou não aporte do Tesouro.

Na última sexta (26), a estatal assinou um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos. De acordo com Rondon, a nova captação ainda não está em negociação.

– Vamos seguir o mesmo rito de agora – afirmou em entrevista coletiva, destacando que o mercado será ouvido.

De acordo com Rondon, a receita operacional da empresa é de R$ 18 bilhões e é preciso aumentá-la para R$ 21 bilhões até 2027.

O presidente dos Correios disse que o Programa de Demissão Voluntária (PDV) como parte do processo de reestruturação da companhia deve gerar economia anual de R$ 2,1 bilhões, com impacto pleno a partir de 2028. O programa será aberto em janeiro de 2026 com potencial de adesão de até 15 mil empregados entre 2026 e 2027, além do fechamento de mil agências hoje deficitárias.

Segundo ele, o PDV exige “algum grau” de investimento para ter uma redução de 18% nos gastos com folha de pagamento. Ele disse que será gasto R$ 1,1 bilhão com o programa para obter uma economia anual de R$ 1,4 bilhão.

– A primeira vantagem do PDV é que ele é voluntário e a gente não esteriliza a força de trabalho da empresa, não aumenta a judicialização, há um acordo que nasce e se resolve por si. Outra coisa é que a gente consegue programar o PDV dentro da dinâmica de necessidade da empresa.

Segundo Rondon, as iniciativas de redução de despesas devem somar R$ 5 bilhões até 2028. Ele também destacou a alienação de imóveis sem uso operacional, com expectativa de gerar R$ 1,5 bilhão em receitas extraordinárias. O presidente da estatal disse ainda que o ritmo de resultado até setembro, de prejuízo de R$ 6 bilhões, não vai se alterar até o fim do ano. A expectativa é de que o plano de reestruturação comece a dar resultados positivos em 2027.

PLANO DE SAÚDE
Rondon disse que o plano de saúde da empresa, o Postal Saúde, tem de ser “completamente revisto”.

– Tem de mudar a lógica, porque hoje ele onera bastante – afirmou.

Ele acrescentou que a expectativa é de economizar entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões anuais, a partir de 2027, com revisão do plano de saúde.

O Estadão mostrou que a crise financeira dos Correios está atingindo o plano de saúde da empresa. A dívida da estatal com a rubrica, segundo o seu balanço mais recente, atingiu em setembro R$ 740 milhões, mais do que o dobro da dívida de R$ 348 milhões de dezembro de 2024.

PROMESSA DE RECUPERAÇÃO DO CAIXA
Rondon afirmou ontem que a primeira fase do plano de reestruturação da estatal é recuperar o caixa até março de 2026.

– Por isso, a gente vem falando nas últimas semanas da captação de recursos – declarou em entrevista coletiva para detalhar o plano do reestruturação da companhia.

De acordo com Rondon, sem intervenção, o resultado seria de R$ 23 bilhões de prejuízo em 2026.

– A correção de rota precisa ser feita de forma rápida – disse.

Rondon afirmou ainda que o plano inclui revisão da governança, metas para funcionários e reconhecimento por desempenho. Já o empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos (Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal), assinado na última sexta-feira, “vai permitir adimplência, recuperar qualidade da operação e retomar confiança”, segundo o presidente da empresa.

*AE

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