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Coronel da Força Aérea é nomeado para diretoria do Enem

Objetivo do governo é reforçar vigilância sobre conteúdo da prova nacional

Gabriela Doria - 05/03/2021 20h43

Coronel da FAB é o novo diretor do Enem Foto: Reprodução

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, nomeou nesta sexta-feira, 5, o coronel da Força Aérea Alexandre Gomes da Silva para chefiar da diretoria responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A indição de um nome não técnico para o principal departamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) teria sido a causa da demissão do então presidente do órgão, Alexandre Lopes, na semana passada.

Segundo fontes, a intenção seria a de ter uma forte vigilância na prova mais importante do país. O responsável anterior da Diretoria de Avaliação da Educação Básica também era militar, o general da reserva Carlos Roberto Pinto de Souza, que morreu de covid-19 em janeiro.

Funcionários do órgão temem que Silva queira rever processos e atrase a organização do Enem, que tem de estar pronto para ser entregue à gráfica até o meio do ano. A prova de 2020 foi realizada apenas em janeiro por causa da pandemia do novo coronavírus e teve a maior abstenção da história: mais de 50% dos inscritos faltaram.

O Inep tem um problema histórico de falta de ítens, que são as questões da prova, que precisam ser elaborados para serem testados em uma metodologia complexa, a Teoria de Resposta ao Ítem (TRI). Não há ainda também definição se haverá Enem digital este ano nem organização do pré-teste, a prova que precisa feita antes do exame oficial para identificar a qualidade dos ítens. Muitos acabam sendo descartados depois dela porque percebe-se que não fazem uma boa seleção.

Silva, que trabalhou como piloto, investigador de acidentes aéreos e oficial de comunicação na Aeronáutica, estava até então no cargo de assessor do ministro para assuntos parlamentares na Câmara dos Deputados. Nunca trabalhou com educação ou avaliação.

Para o cargo de presidente do Inep, Ribeiro nomeou Danilo Dupas, que era secretário de Regulação do Ministério da Educação (MEC), e havia trabalhado com o ministro na Universidade Mackenzie. Ele é o terceiro presidente nomeado pelo governo Bolsonaro para o cargo em dois anos.

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