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Vereadora que apontou suposto gesto nazista em atos é cassada

Maria Tereza Capra denunciou suposto gesto de manifestantes no Distrito Federal

Pleno.News - 04/02/2023 18h46 | atualizado em 06/02/2023 11h49

Maria Tereza Capra Foto: Câmara de Vereadores São Miguel do Oeste

Após nove horas de sessão, os vereadores de São Miguel do Oeste, em Santa Catarina, cassaram o mandato de Maria Tereza Capra (PT) por quebra de decoro parlamentar. Foram 10 votos a favor e apenas 1 contra, o da própria vereadora.

O relatório da Comissão de Inquérito havia dado parecer pela cassação após Capra ter publicado um vídeo, em suas redes sociais, com a denúncia de uma manifestação de vários participantes fazendo um suposto gesto nazista em frente à base do exército da cidade, em 2 de novembro de 2022.

Segundo a alegação da acusação, a parlamentar teria propagado notícias falsas e atribuído aos cidadãos de São Miguel do Oeste o crime de saudar o nazismo e de ser berço de uma célula neonazista. A outra mulher do legislativo do município catarinense, Cristiane Zanatta (PSDB), se ausentou da sessão.

Durante as palavras da defesa, que ocorreu após as 23h desta sexta-feira (3), a vereadora falou sobre as ameaças recebidas desde novembro, com destaque para suas redes sociais, e criticou a moção de repúdio feita pelos vereadores no dia seguinte às supostas manifestações nazistas.

– É no parlamento onde é possível equilibrar as forças de representatividade da mulher, aqui estão 11 homens, uma mulher ausente e uma vereadora que vai ser cassada – disse Capra durante sua fala no plenário da Câmara.

Segundo o advogado de defesa, Sérgio Graziano, o processo é de perseguição política.

– Não há qualquer fato jurídico, político ou social que justifique a cassação. Em 31 anos do exercício da advocacia nunca vi tamanha injustiça – afirmou.

Ele quis reforçar que não é comum que as pessoas ergam os braços durante a execução do Hino Nacional e que nem mesmo os membros das Forças Armadas têm esse ritual.

Ainda nas alegações finais, a defesa de Capra apontou para possível parcialidade do então presidente da Câmara, Vanirto Conrad, e de dois dos três membros da Comissão de Inquérito, Ravier Centenaro e Carlos Agostini. Foram mencionadas também supostas falhas e vícios do processo, como a incongruência das denúncias populares, em que as peças acusatórias não descrevem a quebra de decoro.

A defesa também alegou que a Comissão de Inquérito Parlamentar teria decidido de forma arbitrária e contraditória, concluindo que não haveria comprovação de quebra de decoro parlamentar e que, em caso de aceitação do mérito, deveria ser dada outra penalidade para a vereadora que não a cassação.

A sessão extraordinária terminou depois das 3h da madrugada deste sábado (4), e teve grande presença de público, inclusive do deputado federal Pedro Uczai (PT) e da deputada estadual Luciane Carminatti (PT).

*AE

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