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Suspeito de assédio, presidente do Cremerj se afasta do cargo

Em depoimento, técnica de enfermagem contou que o médico disse que ela era "muito quente" e que precisava ter mais relações sexuais

Gabriel Mansur - 21/07/2022 21h12 | atualizado em 22/07/2022 11h38

Clovis Munhoz Foro: Reprodução/Cremerj

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), Clovis Bersot Munhoz, decidiu se afastar do cargo nesta quinta-feira (21). O cirurgião é alvo de uma investigação da Polícia Civil do Rio sobre um suposto caso de assédio sexual, que teria acontecido em julho de 2021. O anúncio sobre o afastamento foi feito na página e nas redes sociais da instituição.

– Prezando pela lisura e pelo comprometimento com a transparência, o Cremerj informa que o conselheiro Clovis Bersot Munhoz, que atualmente ocupa o cargo de presidente do conselho, decidiu, junto à diretoria, se afastar. Isso porque será aberta uma sindicância em seu nome para apurar a denúncia sobre assédio sexual veiculada na imprensa – diz trecho do comunicado.

O assédio teria acontecido em uma sala de cirurgia de um hospital privado da Zona Sul do Rio. A vítima seria uma técnica de enfermagem que vive em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A mulher contou, em depoimento, que o médico disse que ela era “muito quente” e que precisava ter mais relações sexuais por ter se casado muito cedo. Uma testemunha confirmou o caso à polícia.

A ocorrência é investigada pela 9ª DP (Catete). Clovis, de 72 anos, chegou a ser indiciado pelo suposto crime. O inquérito, que corre sob segredo de justiça, foi encaminhado para o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que pediu mais diligências à polícia.

O caso foi registrado em julho do ano passado. Entre as insinuações que teriam sido feitas por Munhoz no ambiente de trabalho e que são investigadas pela Polícia Civil, a mulher relata que ele colocou a mão no pescoço dela e chegou a perguntar se ela tinha interesse em trair o marido.

– Se você quiser trair o seu marido, pode ligar para mim – teria afirmado o médico.

A técnica afirmou que as perguntas indelicadas eram frequentes a ponto dela ter pedido à chefia direta para não fazer parte de qualquer cirurgia em que Munhoz estivesse presente.

NOTA DO CREMERJ
O Cremerj afirmou, por meio de nota, que tomou conhecimento de que o presidente do conselho tinha, em seu desfavor, uma investigação na 9ª DP e que ele era citado em um processo trabalhista.

– Na época, foi instaurado procedimento administrativo no Conselho e foi solicitado esclarecimentos a respeito do caso. Ele prestou todas as informações, frisando não ter proferido nenhuma das palavras ali mencionadas. Também informou que, no referido dia, havia feito outras cirurgias e que estavam presentes na sala outras pessoas, como médicos, enfermeiras e instrumentadores – disse o Cremerj.

O Conselho de Medicina do Rio de Janeiro informa ainda que Munhoz tem se posicionado de maneira firme contra casos de assédio, representando a classe médica, e que o anestesista Giovanni Quintella, preso por estupro de uma parturiente, teve o registro profissional provisoriamente suspenso com rapidez.

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