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RS: Socorristas e voluntários estão com síndrome de burnout

Muitos sentem culpa por não conseguirem ajudar mais

Mayara Macedo - 15/05/2024 10h35 | atualizado em 15/05/2024 11h05

Chuva causa estrago no Rio Grande do Sul Foto: EFE/ Renan Mattos

Com todos os problemas que decorreram das inundações provocadas pelas fortes chuvas no Rio Grande do Sul, diversos profissionais das mais diferentes áreas foram desclocados até o estado gaúcho para ajudar as vítimas. Socorristas, médicos, psicólogos têm atuado incansavelmente há duas semanas em condições complexas e, muitos, acabaram desenvolvendo síndrome de burnout.

– Temos pessoas fazendo o resgate, retirando as pessoas das suas casas, que foram diretamente expostas a situações muito traumáticas. E temos profissionais envolvidos no acolhimento nos abrigos, que estão envolvidas nesse atendimento aos sobreviventes. Em ambos os casos já vemos pessoas apresentando muitos sinais de exaustão, de desgaste emocional, de cansaço – declarou o coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Trauma e Estresse da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Christian Kristensen, ao jornal O Globo.

De acordo com a Defesa Civil, mais de 500 mil pessoas perderam suas casas. Nos abrigos montados de forma improvisada, os voluntários precisam lidar com denúncias de abusos. Ainda, quem atua resgatando pessoas ilhadas se depara com saques aos botes usados para se locomover em meio as enchentes e, há também quem encontre animais em perigo e que nem sempre conseguem ser salvos. Tudo isso somado a desaparecimentos, mortes e destruição das casas e comércios locais.

A síndrome de burnout acontece quando há um esgotamento emocional extremo decorrente das responsabilidades e do estresse no trabalho.

— Alguns porque foram muito demandados, até mesmo fisicamente, e outros porque estão sobrecarregados emocionalmente com tanto sofrimento. O burnout é esse desgaste emocional que as pessoas estão tendo, de exaustão. Até fadiga por compaixão, que é um termo que usamos muito nesse momento — explicou Kristensen.

A situação tem causado preocupação entre especialistas e alguns voluntários passaram a receber ajuda psicológica também. Entre as causas desse esgotamento emocional, um parece ser mais “comum” entre os profissionais: o sentimento de culpa, por querer fazer mais e não conseguir.

– Mantermos na medida do possível nossas atividades normais para conseguir estar bem para ajudar, temos batido muito nessa tecla agora. É importante não passar dos seus limites – disse a psicóloga Flávia Wagner.

AJUDE O RIO GRANDE DO SUL
Com 85% de seus municípios afetados pela calamidade climática, o estado sulista sofre com severos estragos, e sua ajuda é fundamental para que as vítimas possam recomeçar suas vidas. Uma das formas de fazer doações é o financiamento coletivo criado pelo influenciador Badin, o Colono. Você pode contribuir via Pix usando a chave enchentes@vakinha.com.br ou acesse a Vakinha A Maior Campanha Solidária do RS e deixe sua contribuição.

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