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RJ: Corrupção ataca economia e põe governadores na cadeia

Atual governador do estado, Wilson Witzel, enfrenta acusações e impeachment

Pleno.News - 17/06/2020 15h10 | atualizado em 22/09/2020 15h08

Ex-governadores sinalizam lamentável configuração de corrupção na política do estado

Com um processo de impeachment à frente e acusações de irregularidades na compra de respiradores, o governador Wilson Witzel, do Rio de Janeiro, tenta lutar para não ter o mesmo destino de seus antecessores.

Os últimos três governadores antes de Witzel, Luiz Fernando Pezão, Sergio Cabral e Rosinha Garotinho, foram presos pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, por esquemas de corrupção. Somados a essa lista estão também Anthony Garotinho e Moreira Franco, elevando para cinco o número de ex-governadores do Rio de Janeiro presos num período de apenas três anos.

Confira quais são as acusações contra cada um deles.

Ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral Foto: Reprodução

Sergio Cabral – Foi preso em 2016, condenado pela Operação Lava Jato. Sua pena já conta com mais de 170 anos de reclusão, com oito condenações, sendo réu em diferentes processos. Está detido no sistema penitenciário de Bangu 8 pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

O ex-governador do Rio, Anthony Garotinho Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Anthony Garotinho – Foi preso por três vezes. Em 2016, a Operação Chequinho, da Polícia Federal, investigava o uso indevido do programa Cheque Cidadão para benefício eleitoral. Garotinho ficou marcado também pelo escândalo que fez ao passar mal quando era transportado do hospital para o presídio. Em 2017, foi novamente preso, usando uma tornozeleira eletrônica em casa, acusado porque estaria ameaçando testemunhas e atrapalhando as investigações feitas pela Polícia Federal. Dois meses depois, o ex-governador voltou para a cadeia, acusado de crime eleitoral, mas saiu novamente em dezembro. Seus crimes incluem corrupção eleitoral, associação criminosa, supressão de documento público e coação durante o processo.

A ex-governadora Rosinha Garotinho Foto: Divulgação

Rosinha Garotinho – Foi presa também por crime eleitoral, juntamente com o marido Anthony Garotinho, em 2017. É acusada de corrupção, concussão, participação em organização criminosa e falsidade na prestação das contas eleitorais.

Luiz Fernando Pezão , ex-governador do Rio de Janeiro Foto: Agência Brasil/Tomaz Silva

Luiz Fernando Pezão – Foi preso pela Polícia Federal em 2018, também como resultado de ação da Lava Jato na Operação Boca do Lobo. Pezão foi acusado de receber propina, que incluía uma mesada de R$ 150 mil e um montante de R$ 40 milhões embolsados. Ainda no exercício do cargo de governador, Pezão também ajudou no esquema criminoso, que tinha o antecessor Sérgio Cabral como líder. Foi acusado por corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Ex-presidente Michel Temer e ex-ministro Moreira Franco Foto: PR/Isac Nóbrega

Os crimes de Moreira Franco não estão ligados ao seu período no governo do Rio de Janeiro, que foi entre 1987 e 1991, mas durante sua atuação como ministro de Minas e Energia do governo de Michel Temer. Ele foi acusado de corrupção passiva, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Esse cenário mostra apenas uma parte da crise política que o estado enfrenta, mas é importante lembrar que atrelada vem a crise econômica.

COMO A CORRUPÇÃO IMPACTOU A ECONOMIA
A economista Patrícia Carlos de Andrade e o filósofo Denis Lerrer Rosenfield, do Instituto Millenium, fizeram uma avaliação sobre como a corrupção prejudicou a economia do estado. Segundo a Secretaria de Estado da Fazenda, desde 2019, a dívida acumulada pelo Rio de Janeiro era de quase 120 bilhões de dólares antes da pandemia do novo coronavírus.

Em uma análise publicada pela dupla de especialistas em janeiro, esse montante está diretamente ligado a obras superfaturadas, falta de fiscalização e ineficiência dos setores de regulamentação estatais que acabam permitindo “o enriquecimento de políticos e suas famílias através de obras superfaturadas e desvios de verbas públicas”.

– Projetos bilionários, como a PAC das Favelas e as Olimpíadas tiveram, praticamente, nenhuma fiscalização, o que favoreceu irregularidades que só agora estão sendo descobertas. Além disso, a proximidade entre Copa do Mundo e Olimpíadas também propiciaram uma enorme quantidade de obras sendo executadas principalmente na cidade do Rio, facilitando o superfaturamento e desvios do erário. O problema é que foi justamente nesse período que o ex-governador Sergio Cabral tinha sua mais alta popularidade, na medida em que inaugurava muitas obras, tendo conseguido, inclusive, eleger seu sucesso, o ex-governador Luiz Fernando Pezão, também investigado e preso. Ou seja, a corrupção estava de baixo de nossos olhos e, mesmo assim, continuávamos a votar nos políticos que nos roubavam – apontam.

Considerando que os crimes de Anthony Garotinho começaram no início de seu mandato, em 1999, já são duas décadas de impactos da corrupção na economia. O juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, também apontou a relação entre os dois.

– Os casos que envolvem corrupção de agentes públicos têm enorme potencial para atingir, com severidade, um número infinitamente maior de pessoas, bastando, para tanto, considerar que os recursos públicos que são desviados por práticas corruptas deixam de ser utilizados em serviços públicos essenciais, como saúde e segurança públicas e, no caso específico, educação. E a gravíssima crise financeira por que passam o estado do Rio de Janeiro e o município do Rio de Janeiro, dentre outras unidades da federação, é exemplo eloquente desse mal – declarou ele em 2018.

AGRAVAMENTO EM 2020

Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, enfrenta pedidos de impeachment Foto: Agência O Globo/Jorge Hely

Com isso, 2020 começou com a necessidade da União em socorrer o pagamento de servidores públicos fluminenses e o funcionamento de serviços básicos. Antes da pandemia. Com a chegada do novo coronavírus evidenciando os problemas do sistema de saúde do Rio de Janeiro e ameaçando o comércio, a crise econômica se agravou.

E o processo de impeachment aberto pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) contra Wilson Witzel é mais um passo da crise política.

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